quinta-feira, 1 de abril de 2010

Salve Simpatia – Jorge Benjor

Resenha:
Um álbum bastante interessante de se ouvir é “Salve Simpatia” de Jorge Benjor, lançado em 1979, em meio à ditadura militar, e sem perder o brilho da música popular brasileira.
O disco é super chamativo no sentido da junção de melodia e letra, isso proporciona belas canções enriquecidas de temas bastante pertinentes na época e até comparados na realidade de hoje.
Jorge Ben Jor é muito mais consagrado internacionalmente, pois tem uma identidade própria com música e seu jeito alegre de passar a mensagem. Dentro do contexto desse disco as letras abordam o modo preconceituoso de uma forma metafórica, que falando da mulata, retrata a posição da questão de raças e etnias no Brasil naquela época.
A composição de tais músicas, principalmente nas letras, não só falam da questão das raças ou tentam valorizar essas etnias, mas também trazem alegria com o modo de falar de realidade dentro de uma sociedade sem democracia aparentemente. A música de Ben Jor é direcionada a todos os tipos de público, que em seu sentido vai de encontro com problemas relacionados à sociedade em geral.
Você ouvir Jorge Benjor não é ouvir um simples cantor de MPB, ele traz todo um diferencial em seu estilo musical, que não se prende a um único ritmo e se diversifica em vários tipos de música brasileira. Tudo isso faz com que se ganhe m sentido próprio, valorizando e enriquecendo a nossa cultura, um bom exemplo é o Samba, que se une com a MPB e a Borça Nova.
Não é muito fácil se falar do que você aparentemente não conhece, mas são experiências bem legais super interessantes e se tornam ainda mais quando você passa a gostar da música, e daí se tem uma forma mais verdadeira e coerente de criticar no sentido perceptível da obra.
Mais uma vez ressaltando a letra contida no disco de Bem Jor, que se utiliza de uma linguagem apopularizada, sem termos fora do comum, com o objetivo de atender um nível menosprezado dentro da sociedade, mas que vai muito além de um só público.
Recomendo não só esse disco, mas sim toda discografia de Jorge Ben Jor, e diante disso acredito que quem ouvir, entender e interpretar a mensagem passada, e ainda juntamente com a alegria e batidas das músicas, vão acabar tirando boas conclusões dos trabalhos do artista. Para aqueles que gostam de música em mistura com outros estilos e que falam de temas sociais, que retratam a realidade do povo, tai um bom trabalho a se apreciar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

“A periferia de São Paulo pode explodir a qualquer momento”

Análise de Entrevista:
Em uma entrevista intitulada “A periferia de São Paulo pode explodir a qualquer momento”, publicada em uma edição de 2009, da revista Caros Amigos, com o escritor e comerciante Ferréz, mostra o ódio e repúdio que vem se acumulando na população de áreas menos favorecida da cidade São Paulo, isso devido ao crescimento exorbitante da criminalidade no estado e a falta de ações de interesse público com a população carente. Ferréz também fala sobre sua vida, coloca sua opinião sobre política, sociedade, religião e entre outros temas abordados que fazem parte do seu próprio cotidiano.
Interessante o que Ferréz conta na entrevista sobre o medo que cerca a população da periferia de São Paulo, isso devido à desorganização da polícia e o descaso do poder público, é uma realidade que fica cada vez mais clara. A polícia que supostamente deveria proteger a população, tentando ao máximo reprimir o índice da criminalidade, que por sua vez é incentivada pelo tráfico de entorpecentes, mas parece que aí os policiais metem medo nas pessoas com atitudes violentas. Eles chegam invadindo as residências de pessoas, supostamente honestas e trabalhadoras, muitas vezes agredindo-as e conseqüentemente isso gera medo e revolta na população. O estado nada faz em favor disso, e é aí que surge uma polêmica, pois se percebe que a educação e a justiça não chegam onde está a criminalidade. Se não existem políticas públicas capazes de reprimir o crime, e a polícia que é o órgão capaz de intervir para garantir a segurança da população, acaba fazendo o contrário, os policiais causam pânico, medo, revolta e constrangimento aos cidadãos, espera-se que vai chega um momento em que as pessoas não vão mais suporta esse caos, e todas iram atacar para se defender, podendo até se tornarem futuramente “aliados do crime organizado”.
O que podemos entender do termo “explosão” na periferia de São Paulo, é que o medo causado pela polícia, associado à falta de interesse por parte poder público, isso acaba gerando ódio na população, que conseqüentemente pode levar a reações em cadeia, ocasionando essa tal explosão, sendo algo que está dentro de cada indivíduo ali presente.

“Estética”

Resumo
O texto, “Estética”, de Sebastian Gardner, faz uma breve reflexão sobre a beleza e a arte, que segundo ele, faz surgir um campo rico e cercado por questões filosóficas.
De início cita-se que as experiências por que passamos ao ouvir uma música, ler uma poesia, olhar algum quadro ou cenas da natureza, que segundo o autor essas experiências possuem um caráter imediatamente distintivo, emocional e contemplativo, que nos conduzem a descrever tudo aquilo que experimentamos mediados por um vocabulário especial, e ao utilizar certos termos, bem como belo, delicado, inspirador, comovente, e assim por diante.
A apreciação da arte nos proporciona a mais complexa e intensa forma de experiência estética, quando nos isolamos do mundo externo e nossos estados de imaginação são plenamente requisitados, em contraste dramático com a vida prática cotidiana. Hume e Kante consideram que o juízo estético exemplifica o gosto, e o gosto para estética no século XXVIII, refere-se à faculdade mental-especial. Outros significados do termo podem ser encontrados na observação de duas características absolutamente centrais do juízo estético.
A primeira característica do juízo estético é fundamentalmente uma resposta sentida a um objeto. O juízo estético sobre um objeto não pode ser obtido de segunda mão, ele requer que se trave um conhecimento pessoal, direto com o próprio objeto.
A segunda característica do juízo estético é estreitamente ligada á primeira, regras nem princípios não desempenham nenhum papel nele, ou no máximo um papel diminutivo diante dessas características. Não há leis ligando as qualidades estéticas de um objeto com suas propriedades sensíveis, não-estéticas.
O subjetivismo estético nega que as qualidades estéticas sejam inerentes aos objetos e afirma que a beleza de um objeto consiste em produzir certa resposta no sujeito, ou seja, na experiência estética, somos afetados pelo objeto, e nossa resposta não equivale a um conhecimento de suas propriedades. As propriedades formais e outras propriedades não-estéticas são sujeitas a resposta.
A essência da arte para Hegel assevera que a arte “permeia o que é sensível no espírito”, e que a arte possui “um estatuto superior a qualquer coisa produzida pela natureza, que não efetuou essa passagem pelo espírito”. Sendo ou não justificativa a concepção de Hegel da superioridade da arte, a filosofia da arte, à qual nos voltamos agora, partilha a concepção de arte de Hegel como uma síntese do espírito com algo além de si mesmo, na qual o espírito “reconhece a si próprio”. As teorias da arte tentam elucidar a natureza da conexão com o espírito que faz de um objeto uma obra de arte. Essas tentativas revelam que o conceito de arte se refere a mais que um fenômeno meramente nominal, ou historicamente acidental – que arte possui uma essência.
Entre as numerosas e bastantes variadas teorias da arte que surgiram na história da estética, destacam-se três delas como mais importantes no campo. São as teorias da mime-se, do formalismo e da expressão. Mesmo que o conceito de imitação, como seja compreendido, não defina diretamente a arte, é bem possível supor que o conceito possa ser desenvolvido muito além do escopo comum.
A concepção mimética de representação precisa ser mais rigorosa. A representação que é artística precisa ser restringida no que diz respeito ao tema e ao modo, cujo precisa referir-se a gêneros particulares de coisas, representadas de maneira particular. Os teóricos da mimética chegaram a afirmar que a arte precisa idealizar seu tema. O formalismo pode ser apresentado em favor da teoria mimética, porém, ele também aponta na direção da expressão. A conexão entre a arte e o sentimento, como foi dito anteriormente, não pode consistir numa equiparação direta d arte com a comunicação do sentimento. Já a teoria da expressão tenta estabelecer uma explicação mais elaborada e persuasiva do papel central da emoção na arte.
Em termos das dimensões das artes, sabe-se que os últimos trabalhos no campo da filosofia analítica da arte têm adotado uma perspectiva, mais fragmentada e empírica, para a criação de uma teoria da arte. Muito mais do que visar diretamente caracterização da arte geral, abrangente, essa corrente procurou seguir nas dimensões específicas que constituem as obras de arte, em uma crença de que a descrição apurada da arte como um todo irá emergir de uma compreensão adequada de suas partes. Representação, expressão e significado foram cautelosamente analisados em termos das formas específicas que assumem em cada uma das artes expressas.
Na representação das obras de artes, estamos preocupados com o que as elas representam num sentido visual, contraposto a um sentido interpretativo, algo bastante relativo. Um quadro de um homem segurando uma pedra pode representar São Jerônimo, e um alaúde com uma corda rompida numa natureza morta pode representar a discórdia. E na expressão se diz que as qualidades expressivas das obras de arte formam uma subclasse de suas qualidades estéticas, distinguidas pelo emprego de termos cujo uso principal consiste em descrever as emoções das pessoas. As qualidades expressivas são parte integrante da beleza e do significado da obra de arte. O significa que as obras de arte possuem é muito ligado a interpretação, além de seu conteúdo representacional e de suas qualidades estéticas e expressivas, está obviamente implícito no fato de que a obras de arte admitem, e requerem compreensão. A melhor forma de abordar o significado na arte é por intermédio conceito de interpretação. A interpretação busca identificar os significados das obras de arte, e essa também seria uma das funções da crítica.
Por fim, abordando à questão da finalidade da arte, vemos q não se trata de uma questão de justificativa da própria arte no mesmo sentido que é pensado ser necessária uma justificação no sentido da moralidade. Seria uma exigência inapropriada, pois a criação e a apreciação da arte não compartilham a necessidade da obrigação moral. A questão é antes de saber se podemos articular e provar nossa noção da importância da arte.

Dicionário de Filosofia

Resumo
Essa parte do livro se foca na Estética, em suas definições, teorias, análises, investigações, doutrinas e escolas, decorrentes da evolução ao modo de ver e estudar. Inicialmente quando se diz “arte e belo” é porque as investigações diante desses dois objetos coincidem, estão estreitamente mescladas a filosofia moderna e contemporânea. Na filosofia antiga isso não acontecia, porque as noções de arte e de belo eram consideradas diferentes e reciprocamente independentes. Os antigos chamavam as doutrinas da arte de poética, ou seja, arte produtiva, produtiva de imagens. Para Platão o belo é a manifestação evidente das idéias, sendo, por isso, a via de acesso mais fácil e óbvia a tais valores, ao passo que a arte é a imitação das coisas sensíveis ou dos acontecimentos que se desenrolam no mundo sensível, construindo, antes, a recusa de ultrapassar a aparência sensível em direção à realidade e os valores.
A partir do séc. XVIII, as noções de arte e belo mostram-se vinculadas, como objetos de uma única investigação. Essa ligação foi resultado do conceito de gosto, entendido como faculdade de discemir o belo, tanto dentro quanto fora a arte. A investigação de Hume sobre a norma do gosto (1741) já supõe essa identificação, assim como a de Burke, sobre a origem das idéias do sublime e do belo (1756; of, V, I), mas foi, sobretudo Kant quem estabeleceu a identidade entre o artístico e o belo, ao dizer que “a natureza é bela quando tem a aparência da arte”, e que “a arte só pode ser chamada de bela quando nos, conquanto conscientes de que é arte, a consideramos como natureza”. E finalmente Schelling inverteria essa relação tradicional entre arte e natureza, fazendo da arte a norma da natureza e não o contrário. Schelling via arte como a realização necessária e perfeita da beleza a que natureza só chega de modo parcial e causal.
Todavia, a tentativa de separar a ciência da arte da doutrina do belo ocorreu mais recentemente na Alemanha, com vistas a instituir uma “ciência geral da arte”. Essa ciência deveria ter como objetivo a arte em seus aspectos técnicos, psicológicos, morais e sociais, cabendo a ela a consideração do belo, que para ela é tradicional e insuficiente para explicar todos os fenômenos artísticos, porquanto a arte dos primitivos, ex., é grande parte da arte moderna que parecem fugir à categoria do belo. Essas considerações, porem, não parecem decisivas. No uso comum e mesmo no erudito, a noção de “belo” é suficiente ampla para qualificar qualquer obra de arte bem realizada, ainda que represente coisas ou pessoas.
A arte e o belo apresentam uma grande variedade de definições no decorrer de suas histórias. Embora cada dessas definições tenha conceitualmente a pretensão de expressar de forma absoluta a essência da arte, e hoje vai ganhando corpo a idéia de que a maioria delas só expressa tal essência do ponto de vista de um problema particular ou de um grupo de problemas, e fica bem claro que a definição da arte como imitação é a solução de um problema totalmente diferente do problema que tem como solução a definição da arte como prazer.
A teoria da imitação, hoje é definida e praticada pelos partidários ao realismo na arte, sobretudo nos países comunistas e em quem se inspira na ideologia comunista. Mas muitas vezes a interpretação que se faz da imitação elimina exatamente o caráter passivo que caracterizava na formulação clássica.
Todas as teorias estéticas coincidem em considerar dois grupos fundamentais, que consideram a arte como educação ou como expressão. Como educação, a arte é instrumental, como expressão, é final. A teoria da arte como educação é muitíssimo mais antiga e difundida. A teoria da arte como conhecimento pertence ao âmbito da concepção instrumental ou educativa da arte. Hegel expressou-a com toda clareza possível. Procurando determinar o objetivo da arte, ele elimina também as teorias para as quais a finalidade da arte é a imitação. A educação na verdade nada mais é que educação moral, e para Hegel a tarefa da arte produzir a more da arte, ou seja, passar para as formas superiores de revelação da Verdade absoluta, que são a religião e a filosofia.
As teorias que vêem na arte um instrumento educativo com vistas a moral e ao conhecimento ultimamente se juntaram as que nela vêem um instrumento de educação política. Essas são as doutrinas que falam do engajamento político em arte e que exigem do artista uma orientação política precisa, uma obra harmonizada com as classes ou grupos sociais majoritários menos favorecidos que os ajude no esforço de libertação, de conquista e de conservação do poder político.
A teoria da expressão consiste em ver na arte uma forma final das vivencias, das atividades ou, em geral, das atitudes humanas. Se diz que a expressão aclara e transporta para o outro plano o mundo comum da vida. Fica evidente que a noção de expressão e de desabafo tem continuidade, ou seja, o fato de a emoção estética ser a emoção originária, transformada através material, objeto o qual confiado o seu desenvolvimento e a sua realização pelo seu ingresso em novas relações” ou, como ainda se poderia dizer retorna a natureza. E não causa estranheza se, freqüentemente, do Renascimento ao impressionismo, o retorno à natureza serviu para renovar profundamente e com êxito o estilo e o gosto da arte.
A concepção da arte como expressão talvez se disfarce nas afirmações de quem insiste no caráter teórico ou contemplativo da arte, mas é mal disfarçada quando se ironiza ao mesmo tempo sobre a fórmula da arte pela arte, que é a melhor definição do caráter expressivo da arte. Nessa fórmula insistiriam poetas e artistas modernos, que dela se valeram para defender a arte das tentativas de escravização ou manipulação para fins que acarretariam a sua completa subordinação e sua total liberdade de movimento.

Introdução à Filosofia da Arte

Resumo
O livro, Introdução à Filosofia da Arte, de Benedito Nunes, escrito em quatro capítulos, aborda a origem da filosofia da arte e suas composições, bem como alguns grandes teóricos, expondo suas teorias em relação ao tema.
Inicialmente se fala dos primeiros filósofos gregos da história, que viveram no século VI a. C., que se preocuparam em conhecer os elementos construtivos das coisas. Investigaram a Natureza, era à busca de um princípio estável, comum a todos os seres, e que explicasse a sua origem e suas transformações. Físicos, como foram chamados por Aristóteles, esses primeiros filósofos, fundaram uma tradição de estudo da Natureza. Já na segunda metade do século V a. C., surgem os sofistas, professores da juventude ateniense numa época de crise, mais preocupados com interesse prático de que com uma intenção teórica pura, debateram, entre várias idéias, o Bem, a Virtude, o Belo, a Lei e a Justiça, formulando, teses ousadas e contraditórias. Eles tiveram o mérito de introduzir, no estudo da sociedade e da cultura, o ponto de vista reflexivo-crítico que denominava a filosofia
Quando surge Sócrates (470-399 a. C.), uma mistura de pedagogo e de filosofo, que sempre buscou definir os valores morais. Sócrates abordava vários assuntos humanos, ele questiona o que a Pintura poderia representar em sua essência, e assume uma posição interrogativa para o domínio das artes, também já assumida pelos filósofos gregos em relação às coisas e os valores morais. Platão (427-347 a. C.), discípulo de Sócrates, observa que a Poesia e a Música exercem influência muito grande sobre nossos estados de ânimo, e que afetam, positiva ou negativamente, o comportamento moral dos homens em sociedade. Ele colocou três ordens de problemas das artes em geral: a primeira é questão da essência das obras pictóricas e escultóricas, comparadas a realidade; a segunda é a relação entre elas e a Beleza; e a terceira diz respeito aos efeitos morais e psicológicos da Música e da Poesia. Platão conseguiu problematizar, transformar em problema filosófico a existência e a finalidade artes. Já não bastava mais a simples fruição da Pintura, da Escultura e da Poesia, agora, elas também passam a construir objeto de investigação teórica. E o pensamento racional que as interpela sobre o seu valor, sua razão de ser e o seu lugar na existência humana. Mais tarde, no século IV a. C., Aristóteles (384-322 a. C.), discípulo de Platão, graças á perspectiva aberta imposta pelo seu mestre, pôde desenvolver, numa obra de grade importância, a Poética, idéias relativas à origem da Poesia e à conceituação dos gêneros poéticos, em conjunto, a primeira teoria se foca na Arte que a Antiguidade nos legou. No decorre desse processo surgem vários teóricos, que tratam a Arte como uma importância metafísica e espiritual, em períodos medievais.
Em Kant, vemos que se configurou integralmente a originalidade da Estética, na qualidade de disciplina filosófica. E o efeito provocado pelas coisas e pelas obras do homem, é puramente imediato, pois, dois sentidos desempenham a função primordial da sensação, são eles: a vista e o ouvido. O Belo se manifesta por intermédio nas impressões visuais e auditivas.
Na Estética de Baumgarten, uma perspectiva do Belo, como domínio da sensibilidade, imediatamente relacionado com a percepção, os sentimentos e a imaginação, que Baumgarten incorporou ao conteúdo dessa disciplina, a qual apareceu numa época em que a Beleza e a Arte eram marginalizadas pela reflexão filosófica, que as consideravam como irrelevantes. Ele define o Belo como a perfeição do conhecimento sensível e a Estética em duas partes: a teórica e a prática.
O conceito do Belo teve, na cultura e na filosofia grega, implicações morais e intelectuais que condicionaram o alcance o seu sentido estético, o qual não foi o predominante, nem esteve diretamente relacionado com a Arte, na acepção estrita do termo. Foram três tipos as acepções fundamentais do Belo que prevaleceram entre os gregos: estética, moral e espiritual. O Belo é a qualidade de certos elementos, toda espécie de relação harmoniosa.
A beleza universal constitui uma idéia, uma essência, que vem da filosofia de Platão, fala à inteligência por intermédio dos sentidos. A Beleza se comunica com o visível, somando qualidades que enriquecem a matéria, mas as verdadeiramente não pertencem a este mundo. É uma espécie de ardil com o que Bem capta a atenção da alma para arrebatá-la da servidão do corpo.
Na matéria vemos que a forma é causa promissora do nascimento, crescimento e conservação dos seres naturais. Ela é, para empregamos a palavra consagrada, que significa princípio originário e organizador. A alma, é a forma, a enteléquia do corpo do objeto.
Por fim, é muito grande a distancia que vai da idéia de Arte, à idéia de Belo. Essa distancia diminui na doutrina de Aristóteles, onde o caráter contemplativo do Belo tende a ajustar-se ao caráter prático da obra de arte. Enquanto Plotino vê na arte um dos meios pelos quais o espírito humano se relaciona diretamente com a Beleza da qual Platão falou, os filósofos cristãos, Santo Agostinho e São Tomas de Aquino, principalmente, consideram separadamente esses duas idéias, que estarão unidas de maneira essencial no conceito de Belas-Artes.

Iniciação à Estética

Resumo
O livro, Iniciação à Estética, de Ariano Suassuna, fala sobre o início da Estética, as origens, se utilizando de outros pensadores de várias épocas.
O capítulo I, fala de como era definida a Estética, “Filosofia o Belo”, e o belo era posto como belo da Arte e belo da Natureza, com a primazia do belo da Natureza sobre o belo da Arte, devido ao pensamento platônico, e da filosofia tradicional, que colocaram certa hierarquia entre os dois Belos. Mas é a partir do idealismo germânico que o belo da Arte passa ser considerado superior ao belo da Natureza. Isso devido a Hegel que formula a idéia de que a Beleza artística tem mais dignidade do que a da Natureza, porque, enquanto esta é nascida uma vez, a da Arte é como que nascida duas vezes do Espírito. E também segundo Hegel, razão pela qual a Estética deve ser fundamentalmente, uma Filosofia da Arte. Mais tarde Kant influencia alguns pensadores, que já começam a subdividir o campo estético, com isso o belo não ocupava mais, isolado todo esse campo.
O nome Estético passou, a designar o campo geral da Estética, que incluía todas as categorias pelas quais os artistas e os pensadores tivessem demonstrado interesse, como o Trágico, o Sublime, o Gracioso, o Risível, o Humorístico etc., reservando-se o nome de Belo para aquele tipo especial, caracterizado pela harmonia, pelo senso de medida, pela fruição serena e tranqüila – o Belo chamado clássico, enfim.
O campo estético abrange várias categorias além do Belo. Algumas delas foram já consideradas como ilegítimas no campo estético, daí surge uma problemática, exatamente por entrarem em choque com a idéia de medida, ordem e serenidade, características do Belo. Mas depois que se chamou atenção para a necessidade de fragmentar o campo estético, receberam definitivamente o selo de legitimação. Depois de tudo isso os teóricos pós-kantianos trouxeram, uma importante contribuição ao estudo da Estética, impondo o nome de Belo só em apenas uma de suas categorias, registrando e oficializando o fracionamento do campo estético. Eles acreditam que a Estética deve ser considerada uma ciência e não uma filosofia.
Segundo o autor, a Estética é uma reformulação da Filosofia em relação à Beleza e à Arte.
O capítulo II, fala sobre importantes opções a se fazer na Estética. Uma dessas é o irracionalismo, que faz parte das relações entre a Arte, segundo o autor, a Estética não fere a liberdade criadora da Arte, e que ela ás vezes se mostram contra a opinião dos próprios artistas e escritores, quando fogem do campo do criador e daí se sobrepõe sobre Arte e literatura.
Outra grande opção inicial no campo da Estética é entre o objetivismo e o subjetivismo. Até o advento da grande revolução estética de Kant, ninguém tinha dúvida de o fato de que a Beleza é propriedade do objeto estético, quadro, novela, poema, sonata, filme ou peça de teatro. Havia ali posições diferentes quanto à essência da Beleza, quanto ao problema de sua verdadeira natureza.
O posicionamento de Kant, opondo-se violentamente à tradição mediterrânea no campo estético, procurou deslocar a Beleza do objeto para o sujeito. Segundo Kant, além da inteligência, e da vontade, existe o juízo do gosto, no qual domina a sensação de prazer ou desprazer, através dela se diz se uma coisa é bela ou não.
A Estética Filosófica e Estética Científica é outra grande opção da Estética, que consiste em decidir-se ela própria pelo caminho lógico-filosófico ou pelo caminho lógico-experimental. Foi a partir dela que os estetas contemporâneos, começam ver a necessidade de juntar a Estética á Filosofia, novamente. Assim surge a Estética Lógica, que basicamente um elemento de junção entre a Estética Filosófica e a Científica. Com isso, pretendiam ser guiados nisso, pelo método experimental, baseados na idéia kantiana, de que a Beleza não é uma propriedade do objeto, mas sim uma construção do espírito do sujeito, e os estetas percebem que considerar o fato estético é fundamental para a experiência estética, a experiência pessoal de cada um.
Contudo, a Estética desde sua criação passou por constantes mudanças em sua nomeação e também em seu campo de estudo, tudo isso devido às diversas formas de percepção estética, postas nos seus idealizadores.

A Laranja Mecânica (resenha)

Laranja Mecânica, do diretor Stanley Kubrick, filme lançado em 1971, aborda questões de cunho social e filosófico, mostrando que a violência faz parte dos instintos do homem sendo algo bem claro dentro da história.
No início parece ser um pouco chato, conta história do jovem Alex, que narra toda história, morador de uma pequena cidade inglesa. Junto com seus “irmãos”, os Drugues, praticam atos de violência, espancamento, estupro e até assassinato sem motivo aparente, supostamente por simples prazer ou crueldade. Até que em um determinado momento Alex é preso e condenado por assassinato, ele pega 14 anos de prisão. É ai que dá início ao seu pesadelo. Alex, para sair o mais rápido que pudesse da prisão, vira uma espécie de cobaia de um tipo de tratamento que promete acabar com a violência em pessoas semelhantes a ele, o qual pretende devolvê-los à sociedade totalmente recuperados e aparentemente incapazes de cometer qualquer ato de violência. O filme não faz apologia ou se mostra contra as ações de violência, apenas põe em discussão o retrato de uma sociedade que pode ser vista e comparada a nossa de hoje, tendo características semelhantes, mesmo em culturas e épocas diferentes, com os mesmos problemas e valores que enfrentamos na sociedade cotidiana.
A história não destaca unicamente a violência. Também cita temas como a liberdade de uma única pessoa dentro de uma sociedade ou mesmo a influência que o meio impõe sobre o indivíduo particularmente. Fala também sobre a falta de escrúpulos em volta dos interesses políticos sobre a situação de Alex.
Podemos perceber esteticamente, que há no filme uma harmonia perfeita entre imagem e sons, que são vistas em várias cenas, mas em especial na cena em que ele espanca o escritor cantando a música Dançando na Chuva.
Laranja Mecânica é sem dúvidas um grande clássico do cinema mundial. E ao mesmo tempo é divertido e cruel. Fascinante, perturbador e subjetivo em certos sentidos. Uma reflexão social e medo constante. Bem ousado e até mesmo intrigante. Que no decorrer da trama foi conquistando espectadores e mexendo com a concepção das pessoas no sentido analítico do objetivo de toda ficção.

Last Night - Moby

Resenha:
Last Night, álbum do Moby, lançado no dia 31 de março de 2008 se não me engano, tem 14 faixas, musicas bem diversificadas, contagiantes e adicionadas há um pouco de tudo, que faz ser um estilo bastante diferente de fazer musica eletrônica.
A musicalidade exposta no disco nos passa uma alegria expressiva e instantânea, de modo que ao ouvir esse tipo de som você percebe que é algo diferente, mas associado a algo bom. Na minha concepção de gosto é uma formula diferencia dos tantos estilos de musica eletrônica que vemos surgir freqüentemente e que se torna acessível em relação ao mercado da música.
Já havia escutado algumas músicas do álbum, mas não conhecia o autor e nem o disco por completo. Quando comecei a ouvir o som na primeira vez, algo me chamou logo atenção. Não é apenas só musica eletrônica, remixada ou algo do tipo, tem que se observar algumas características impostas no conteúdo musical do cd, que nos chamam a atenção e a se interar nas batidas.
Todas as 14 faixas do disco são bem dançantes, é impossível ficar parado ouvindo o som, as batidas nos levam juntos com a sincronia musical e as melodias arrepiantes. A pegada do estilo do Moby é uma mistura de vários estilos musicais: rock, pop music, musica clássica, rip hop, jazz, musica eletrônica, disco e até mesmo psicodélica.
As músicas mais vibrantes e tocantes são as faixas “I Love To Move In Here”, “Everyday It’s 1989”, “ Disco Lies” e “ The Stars”. Impressionam pela junção de melodia e mixagem, que nos proporcionam uma percepção inovadora do ritmo, com um caráter crítico diretamente relacionado a todo o conjunto da obra.
Em termos gerais, todos os conceitos julgados por mim relacionados ao disco, são exatamente resultados de minha percepção em contato com o material, que como já disse antes, foi algo bem interessante da minha parte, pois são dessas formas que se conhece o trabalho de algum artista, aparentemente desconhecido para certos tipos de público, seja ele conservador ou meio que alternativo (como eu). Assim o álbum por se encaixar em conceitos alegres, contagiantes, embalantes e dançantes pra todos os gostos, vai de acordo a idéia de mixagem de musicas, por se tratar de musicas bonitas no aspeto melódico, juntando-se a batidas alegres e que atrai o publico pra dentro da música e vai de encontro com emocional do indivíduo.
Eu recomendo esse disco pra todas as pessoas, pra jovens em especial, pra todos aqueles que gostam sempre de novas experiências, que levam a vida de várias formas e adoram uma boa música conjugada com uma dança contagiante, em um ritmo bem original e diferenciado. Ouçam, só ouçam, daí virá o tal gosto. Muito bom esse cd.

Nação Zumbi

Resenha:
A banda Nação Zumbi é um grande ícone da cultura Manguebeat no Brasil, percussora desse estilo e consagrada há muitos anos, já tocou em diversos festivais do mundo. Natural de Pernambuco é um movimento musical que surgiu no Brasil na década de 90 em Recife que mistura ritmos regionais com rock, hip hop, maracatu e música eletrônica, que tem como objetivo tratar o ecossistema como algo extremamente importante pra sobrevivência, e o mangue como o ecossistema mais rico do planeta. E com isso o Manguebeat formou uma cena musical muito forte e marcante como os manguezais e a cultura popular, que propriamente é a bandeira desse movimento, mas suas letras não falam apenas da valorização e preservação do mangue, também retratam a desigualdade social e a banalidade da sociedade hipócrita cercada por dificuldades, e sem atitudes pra solucioná-las.
O idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das idéias, ritmos e contestações do Manguebeat, é Chico Science, ex-vocalista da banda e já falecido. Após sua morte a banda continuou sua caminhada com a mesma ideologia centrada nas idéias de Chico, influenciando vários outros grupos regionais e de todo o Brasil, com isso despertou o interesse das grandes gravadoras, e até hoje o cenário central do Manguebeat continua sendo Recife.
No aspecto crítico da musica em si: as letras são originais, a melodia super alegre e contagiante, os contratempos são bem interessantes do ponto de vista da musica por completa, e as distorções (minha preferência) são bem agressivas e chamam de certo modo chamam a atenção de diversos públicos.
O estilo musical da banda é único e inovador, todo o público se senti contagiado pelo ritmo marcante que se impõe em contato nos shows e apresentações, mas não é só alegria que se passa nessa mensagem, e sim uma forme alegre de falar da realidade, dos problemas sócias, do descuido com a natureza e com a auto-estima do povo nordestino principalmente.
A cultura local é muito valorizada, posta de uma forma clara e simples, sem se conter com os padrões da musica popular brasileira, que só se fala de beleza, da garota de Ipanema, do rio de janeiro, e muitos temas que nos exclui desse cenário, que só engrandecem a cultura do centro-sul. E a música da Nação Zumbi também fala desse sistema e meio que nos alerta de uma falsa realidade, imposta diante da sociedade, sem esquecer de que os nossos mangues fazem parte do ecossistema mais rico do planeta, muito bom recomendo.

O Ilusionista (resenha)

comentários:
Muito diferente de muitos ilusionistas, focados pela mídia, Eisenheim, não revela seus truques. É um mágico talentoso, cujo seu objeto de desejo é uma linda garota, conhecida por Duquesa Sophie Von Teschen. Já o antagonista, príncipe Leopold, disposto a disposto lutar pela Duquesa. E, claro, se você vai desafiar a realeza, é óbvio que a polícia também vai começar a caçar você. E aí que entra o Inspetor Uhl Corrales.
Na verdade muita coisa acontece depois disso que também deveria entrar na sinopse. É seguro dizer que O Ilusionista demora a chegar ao ponto central da história, pois grande parte da sua duração é gasta com prólogos e cenas que variam entre romance e ciúmes. Finalmente, quando chega ao seu objetivo, ele se torna interessante, mas antes disso é simplesmente comum, e tem como melhores momentos as apresentações de mágica. Aliás, essas são muito boas e quase valem o ingresso por si só.
A questão que torna o filme interessante é basicamente simples. Eisenheim tem poderes místicos ou é tudo truque? Isso fantasticamente elaborado, para descobrir a resposta, você vai ter que assistir e entender toda história e ainda sim haverá dúvidas sobre a magia de Eisenheim. Mas embora essa resposta seja dada, a explicação é muito fraca e não faz nenhum sentido. Aliás, eu acho que a conclusão seria melhor se não apelasse para o finalzinho surpresa que deixou um monte de coisas mal amarradas de certo modo.
Um filme que vale a pena conferir, principalmente porque consegue passar na trama uma imagem bem obscura, deixando de recorrer a efeitos mirabolantes que tornam as mágicas bem naturais, principalmente quando Eisenheim fala com os mortos, a platéia de Viena vai à loucura, a cara de horror chega a nos confundir, será realmente uma ilusão ou a mais pura realidade?
Essa história é super interessante, repleta de varias cenas inesperadas e de uma trama magnífica, há momentos em que achamos que ta tudo indo de acordo com padrão das tantas historias melodramáticas, mas aos vai se mostrando diferente, e isso deixa o filme muito mais interessante. Todos querem saber se vai haver um final feliz, e se Eisenheim revelará algum de seus truques?
Eu recomendo esse filme a todos os críticos, conservadores, pessoas que adoram também filmes enriquecidos de mistério e todos aqueles que s consideram curiosos, pois vão forçar a seus raciocínios pra entender a historia e seus fundamentos, e por fim ficarem encucados com final tentando dar um sentido próprio. Só não vale contar o final pra quem não assistiu ainda! rsrsrs :P

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

X Semana dos Esudantes de Comunicação (SECOM - UFAL)

A "X SECOM" recebeu muitos elogios do público em sua organização e tematização, muitos participantes acharam bastante interessante os paineis, grupos de discursões e oficinas. Sabemos antes de tudo,que um evento desse porte tem toda uma preparação super antecipada, no caso, esse foi várias vezes intitulado como diferente dos anteriores, e isso pelos próprios professores e participantes de outras edições. Um dos principais objetivos dessa SECOM, é uma recepção acolhedora, integração e interação dos feras com o mundo acadêmico, mas não só isso, pois existem um conteúdo a ser passado e discutido com todo o público. Também esperamos uma participação ativa dos de todos os calouros do COS diante dos temas de toda programação. Como de costume a tradição, a SECOM em seu último dia faz-se uma festa de incerramento e essa não poderia ficar de fora, ora se é SECOM, é do COS, na UFAL, uma boa combinação pra que se faça um encerramento bem legal com veteranos e feras interagindo constantemente. Todos da C.O. estão de parabéns pela ótima organização e execução do evento. PARABÉNS galera...

sábado, 7 de novembro de 2009

Propaganda ou Relações Públicas?O que é mais efetivo para construir marca?

Aí está um bom tema para uma tese de mestrado de algum desses MBAs por aí… Ah esqueci-os “master in business administration” recebem título de “master” mas não fazem tese. É compreensível.Dá trabalho mesmo a tal tese.Tem que ir para o campo coletar dados, cruzá-los, descobrir padrões, verificá-los, e, aí sim, expô-los numa forma que qualquer um possa checar sem depender de quem disse.Se,como dizem,a metade do que se gasta em propaganda é supérfluo, como identificar a metade certa? A resposta vale ouro.
Al Ries (grande profissional do marketing) talvez mereça muitas das críticas que recebeu, mas suspeito que valha a pena prestar atenção ao seu argumento central. Ele afirma que todos os grandes sucessos recentes de marketing foram construídos com pouca propaganda (quase nenhuma) e toneladas de RPs. Pode ser exagero, mas, realmente Google, e-Bay, Dell, Wal Mart, Starbucks, Palm, Prozac, Yahoo, Linux, Botox, The Body Shop, Viagra, Amazon, PlayStation, Red Bull, Harry Potter, You Tube,...- não dependeram de propaganda para se firmar. Certo, um dos problemas aqui é que Ries não faz distinção entre produtos (Viagra)e conceitos de negócio (Dell),nem reconhece nuances entre as várias categorias que lista. Na pressa, enfia tudo no mesmo saco.
Mas, com toda imprecisão, no “atacado”o que Ries observa é detectável por qualquer um:ontem era impossível construir marca (em mercados de massa) sem propaganda, hoje se tornou freqüente. O que mudou? (continua). obs: amigos comentem a respeito desse texto...

O ESTRUTURALISMO

A Psicologia é uma ciência que estuda o Homem, seus aspectos mentais, seu comportamento, sua forma de reagir diante das diversas situações com o objetivo de facilitar a convivência consigo próprio e com os outros seres vivos. Nenhum aspecto da vida humana foge aos interesses da psicologia. Da vida pré-natal à morte, no lar, na escola, no trabalho, na saúde, na doença, em pequenas comunidades, em grandes metrópoles, em conflitos conjugais, administrativos, empresariais, pessoais, etc. Embora consolidada como objeto de estudo da ciência apenas por volta de 1879, com Wilhelm Wundt, sua origem confunde-se com a história da filosofia. A gênese da psicologia pode ser localizada no quarto e quinto séculos a.C. com os filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles levantando questionamentos e reflexões fundamentais sobre o funcionamento da razão humana. Esses filósofos trouxeram questões sobre como as pessoas percebem a realidade, o que é a consciência e como as pessoas são capazes de exercer o livre arbítrio. Assim, durante séculos, foi como estudo da alma que a psicologia existiu.

Contudo, o conhecimento adquirido por meio de reflexão e especulação, típico da filosofia, começa a ser gradualmente questionado pela sociedade. Com a necessidade de o conhecimento ser cada vez mais sistemático, crítico e rigoroso, através, principalmente, do emprego do método experimental, uma nova forma de conhecimento começa a se consolidar como uma fonte de verdade e sabedoria; surge, com isso, a ciência. A primeira das ciências a se desvincular da filosofia foi a Matemática, já no ano 300 a.C com Euclides.

As outras ciências só muito mais tarde se tornaram autônomas: a Física, na primeira metade do século XVII com Galileu; A Química com as pesquisas de Lamarck e C. Bernard no século XIX. No final do século XIX e início do século XX, vimos o aparecimento das Ciências Sociais, da Psicologia, bem como da Lógica. Tudo isto veio a questionar a noção de saber total para a filosofia. De certo modo, podemos dizer que, quando se trata um assunto, até então filosófico, pelo método experimental e positivo, este assunto se torna objeto de uma nova ciência.
Desse modo, a Psicologia passa a ser considerada ciência simplesmente pelo fato de os cientistas a ela se dedicarem experimentalmente. Valendo-se do método experimental, os pesquisadores já tinham consolidado definitivamente a Física e a Biologia, ciências estas que detiveram descobertas fundamentais para o surgimento da psicologia. Assim, o fundador da psicologia como ciência foi Wilhelm Wundt que em 1879, na universidade de Leipzig, na Alemanha, ao criar o primeiro laboratório experimental de psicologia. Seu método de pesquisa seguia a melhor tradição científica, envolvendo a observação, experimentação e medição. Este foi o marco histórico da psicologia como uma ciência e o grande mérito de seu fundador foi o fato de desvinculá-la da filosofia, tornando-a uma verdadeira ciência com autonomia em relação às demais áreas do conhecimento.

Wundt começa definindo o objeto da psicologia como o estudo da consciência. Para isso, decompõe-na em suas partes mais elementares; à semelhança da divisão em átomos da química. A Psicologia deixa de ser o estudo da vida mental e da alma e passa a ser o estudo da consciência ou dos fatos conscientes.
O grande desafio da época se resumia em estudar a consciência através dos métodos experimentais e quantitativos que eram pertinentes às outras ciências. Para atingir este objetivo, no seu Laboratório Wundt treinava os cientistas para que eles respondessem a perguntas específicas e bem definidas sobre as experiências vividas ali dentro do espaço criado por ele. O método era rigoroso e exigia que os observadores tivessem que realizar a experiência pelo menos dez mil vezes antes de expor os resultados publicamente.

Utilizava como método de estudo a introspecção. Esse método consistia em, no laboratório, observadores treinados descreverem as suas experiências a estímulos externos resultantes de uma situação experimental. Através da introspecção, a pessoa observava suas próprias experiências (emoções, percepções, recordações, etc) e as relatava. Por exemplo: os observadores ouviam um som e em seguida descreviam o que sentiam. Este método, que se resume em uma espécie de auto-análise, permitia o acesso à experiência consciente do indivíduo. Se a Psicologia, segundo Wundt, é a ciência da experiência, o método de pesquisa deve envolver, portanto, a observação dessa experiência. Como ninguém pode observar uma experiência, exceto a pessoa que a tem, o método deve envolver a auto-observação ou introspecção.
Wundt definiu regras importantes para o uso correto da introspecção em laboratório. Primeiramente, o observador devia ser capaz de determinar quando o processo pode ser introduzido; tinha que se encontrar num estado de muita concentração; devia estar apto a repetir a observação numerosas vezes; e, finalmente, as condições experimentais deviam ser capazes de variações em termos de manipulação controlada dos estímulos. Esta última condição invoca a essência do método experimental: variar as condições da situação de estímulo e observar as mudanças resultantes nas experiências do sujeito.

Esse método teve seu mérito por conseguir resultados eficientes e, principalmente, por consagrar definitivamente a psicologia como uma ciência. Contudo, apresentava algumas sérias limitações. Em primeiro lugar, excluía automaticamente do estudo as experiências com crianças e animais, pois estes não podiam ser treinados adequadamente para utilizar a introspecção. Para poder relatar os elementos básicos desta introspecção, tal como era praticada na universidade de Leipzig, era necessário um treinamento árduo. Esta habilidade só era adquirida após um longo período de rigoroso aprendizado. Em segundo lugar, os psicólogos da época consideravam fenômenos complexos, tais como pensamentos, moralidade, linguagem e anormalidade, impróprios para estudos introspectivos e, portanto, fora do alcance da ciência. Em conseqüência disso, outros movimentos surgiram posteriormente para remediar essas falhas.

Assim, Wundt criou o que, mais tarde, seria chamado de estruturalismo, por seus opositores, os funcionalistas. Como vemos, este termo, embora não necessariamente desapropriado para o método wundtiano, não foi escolhido por seu criador, por isso deve ser usado com ressalvas. Titchener levou a idéia da Psicologia para os Estados Unidos, modificando-a em alguns pontos. Essa Psicologia científica fundada por Wundt e seguida por Titchener e, posteriormente, por W. James se ramificou em duas escolas: Estruturalismo e Funcionalismo. Contudo, estas correntes foram abandonadas por volta da metade do século XX, sendo substituídas por novas teorias mais bem fundamentadas como o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise, as quais se tornaram as três mais importantes tendências teóricas da Psicologia atual.

A originalidade da contradição e seu uso filosófico

Em algumas vezes o uso da filosofia proporciona um certo esclarecimento do sentido das palavras, então poderíamos dizer que, a filosofia segue o seu papel originário: revelar ou trazer algo que para nós estava de modo obscuro, daí se tem o primeiro sentido da palavra verdade. E por outro, com os anos passados, as reflexões filosóficas tendem a tornar oculto para nós o sentido originário de certos conceitos.
Na origem etimológica, a contradição, seu conceito não significa nem mais nem menos do que se contrapor a um dizer, um contradizer, expressar convicções opostas ás apresentadas anteriormente.
O diálogo consiste em uma polaridade originária que é própria da dialética, e contradizer a alguém não é apenas opor-se a, mas opor-se a alguém sob um mesmo ponto de vista, sob um objeto comum que está sendo analisado lingüisticamente. Esse contradizer pode ser analisado a partir de uma versão meramente negativa, ou seja, ao discurso lúcido de alguém, contraponho qualquer argumento que o refute, sem procurar saber das razões, essa seria uma tentativa aristotélica, que já tinha na verdade sua formulação originária em Platão, embora estivesse inacabada.
Platão não utiliza o termo contradição com sentido de oposição, como mostrado anteriormente, na verdade quem faz esse uso é Hegel, daí acreditamos que podemos mostrar nos diálogos platônicos o uso filosófico de uma oposição, onde cada um dos opostos apresentam uma insuficiência, ao serem analisados isoladamente, encontrando a resolução de sua falta só em sua correlação mútua.
A contradição que representa o impulso na busca do bem, sendo o elemento vital e processual que está na origem da amizade, é uma contradição por insuficiência ou falta, ou seja: o não possuir o bem leva o amigo a procurar daquilo que lhe falta. Mas essa contradição não é de modo algum resultado de uma oposição entre opostos inconciliáveis.
A teoria do amor de Platão termina vindo revelar dois diferentes modos de resolver um mesmo problema, daí a insuficiência originária é a que caracteriza todo o ato de amor. Essa insuficiência está claramente vinculada à presença do homem no mundo sensível. E a teoria das Formas também de Platão representa um ponto de vista em que a visão dualista traz sua maior ênfase. Daí surge as oposições tradicionais entre aquilo que é imaterial, imutável, universal, verdadeiro – as formas – com o que é material, mutável, singular, falso – as coisas sensíveis diante desse contexto. Essa teoria irá ter uma de suas apresentações mais emblemáticas na obra VI da República, e será posteriormente posta em prática pelo diálogo Parmênides.
Poderíamos dizer que o diálogo Parmênides, se trata basicamente do exercício intelectual, ou seja, posição defendida pelo próprio D. Ross, mas na verdade o diálogo nos diz muito mais do que isto.
O Parmênides nos mostrou primeiro, não que todas as formas de oposições levam necessariamente à incongruência do discurso, o que viabilizou a própria dialética, que é justamente o método por excelência do estudo crítico das oposições no pensamento filosófico, levando ao conhecimento da verdade. Aquele diálogo revelou o uso falso da relação dos opostos, e o modo como o uso dele nos leva a contradições disruptivas, e por outro lado apontou a necessidade de repensar a relação uno - múltiplo em uma outra dimensão. O sofista sempre procurará repensar essa relação uno – múltipla.
As doutrinas não-escritas de Platão começaram a adquirir uma relevância, a partir dos estudos da chamada Escola de Tübingen, que teve como maiores destaques foram H. Krämer e K. Gaiser. Posteriormente, os estudos foram também aprofundados por G. Reale na Itália. Daí, desde então, a proposta de uma releitura das obras platônicas pelo viés das doutrinas não-escritas. O objetivo desse trabalho é apenas mostra alguns traços de teorias metafísicas divergentes que se apresentam nos próprios diálogos escritos e como também no âmbito do Platão exotérico há a tendência da superação de uma visão integradora, onde nela se procura romper com o dualismo radical entre mundo formas e mundo sensível.
A questão central que gira em torno da possível conciliação entre modos opostos subsumidos sob a qualificação de prazer. E Sócrates adverte que essa é uma possível relação de dificuldade entre uno e múltiplo, e mais especificamente entre a forma imutável e una as suas diversas formas de aparição na concretude. E com isso há uma necessidade de encontrar uma possível mediação entre mundo das formas e mundo sensível. Todos nós somos jogados na questão central do platonismo, com uma tentativa, antes não tão postas claramente, de uma possível solução para essa velha dicotomia.
Nesse texto encontramos um desfecho para a interpretação inicial da dialética, segundo o autor: é no conceito de alma do mundo e em uma dialética que vai pela busca da unidade entre opostos correlativos que se dá a superação da dicotomia radical da metafísica platônica como é tradicionalmente conhecida.

O QUE É DIALÉTICA – (Leandro Konder)

A dialética, na Grécia antiga, era a arte do diálogo e que aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão.
Na acepção moderna, entretanto, dialética significa outra coisa: é o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação.
No sentido moderno da palavra, o pensador dialético mais radical da Grécia antiga foi, sem dúvida, Heráclito de Efeso (aprox. 540-480 a.C.). Nos argumentos deixados por Heráclito, pode-se ver que tudo existe em constante mudança, que o conflito é o responsável por todas as coisas. Os gregos acharam essa concepção de Heráclito muito abstrata, muito unilateral. Chamaram o filósofo de Heráclito, o “Obscuro”.
Eles preferiram a resposta dada por um outro pensador da mesma época: Parmênides. Ele acreditava que a essência profunda do ser era imutável e dizia que o movimento (a mudança) era um fenômeno de superfície.
Essa linha de pensamento - que podemos chamar de metafísica - acabou prevalecendo sobre a dialética de Heráclito.
A concepção dialética foi reprimida, historicamente: foi empurrada para posições secundárias, condenada a exercer uma influência limitada. A metafísica se tornou hegemônica. Mas a dialética não desapareceu. Para sobreviver, precisou renunciar às suas expressões mais drásticas, precisou conciliar com a metafísica, porém conseguiu manter espaços significativos nas idéias de diversos filósofos de enorme importância.
Aristóteles, um pensador nascido mais de um século depois da morte de Heráclito, reintroduziu princípios dialéticos em explicações dominadas pelo modo de pensar metafísico. Segundo ele, todas as coisas possuem determinadas potencialidades; os movimentos das coisas são potencialidades que estão se atualizando, isto é, são possibilidades que estão se transformando em realidades efetivas. Graças a ele, os filósofos não abandonaram completamente o estudo do lado dinâmico e mutável do real.
No final do Século XVIII e no começo do Século XIX, os conflitos políticos já não eram mais abafados nos corredores dos palácios e estouravam nas ruas. Essa situação se refletiu na filosofia. Se refletiu até na filosofia que se elaborava na longínqua cidade de Kõnigsberg, na Prússia oriental (hoje a cidade se chama Kaliningrado e fica na União Soviética), onde nasceu, viveu, escreveu e morreu aquele que provavelmente é o maior dos pensadores metafísicos modernos: Imanuel Kant (1724-1804). À sua volta, a história da Europa estava pondo a nu muitas contradições e Kant não pôde deixar de pensar sobre a contradição, em geral. Kant percebeu que a consciência humana não se limita a registrar passivamente impressões provenientes do mundo exterior, que ela é sempre a consciência de um ser que interfere ativamente na realidade; e observou que isso complicava extraordinariamente o processo do conhecimento humano. Sustentou, então, que todas as filosofias até então vinham sendo ingênuas ou dogmáticas, pois tentavam interpretar o que era a realidade antes de ter resolvido uma questão do que seria o conhecimento em sí.
O centro da filosofia, para Kant, não podia deixar de ser a reflexão sobre o que de fato seria o conhecimento, a questão da exata natureza e dos limites do conhecimento humano. Fixando sua atenção naquilo que ele chamou de "razão pura", que ele se convenceu, então, de que na própria "razão pura" (anterior à experiência) existiam certas contradições (as "antinomias") que nunca poderiam ser expulsas do pensamento humano por nenhuma lógica.
O trabalho - segundo Marx - é a atividade pela qual o homem domina as forças naturais, humaniza a natureza; é a atividade pela qual o homem se cria a si mesmo. Mas , então, o trabalho de condição natural para a realização do homem chegou a tornar-se exploração dele próprio. Tranfosmando-se em uma atividade que é sofrimento, uma força que é impotência, uma procriação que é castração.
Uma primeira causa dessa deformação monstruosa se encontra na divisão social do trabalho, na apropriação privada das fontes de produção, no aparecimento das classes sociais. Alguns homens passaram a dispor de meios para explorar o trabalho dos outros; passaram a impor aos trabalhadores condições de trabalho que não eram livremente assumidas por estes. A partir da divisão social do trabalho, a humanidade passava a ter uma dificuldade bem maior para pensar os seus próprios problemas e para encará-los de um ângulo mais amplamente universal.
Examinando o modo de produção capitalista, em seu livro O Capital, Marx notou que com ele se criou uma situação política nova, sem precedentes, na história das lutas de classes. O capitalismo é como aquele aprendiz de feiticeiro que colocou em movimento forças que em seguida escaparam ao seu controle.
Para a dialética marxista, o conhecimento é totalizante e a atividade humana, em geral, é um processo de totalização, que nunca alcança uma etapa definitiva e acabada, ou seja, qualquer objeto que o homem possa perceber ou criar é parte de um todo. Em cada ação empreendida, o ser humano se defronta, inevitavelmente, com problemas interligados. Por isso, para encaminhar uma solução para os problemas, o ser humano precisa ter uma certa visão de conjunto deles.
É evidente que, na prática, a vida coloca diante da sociedade problemas que possamos resolver, em geral, sem necessidade de recorrer a cada passo a considerações de filosofia da história. De certo modo, contudo, mesmo no dia-a-dia, estamos sempre, implicitamente, totalizando; estamos sempre trabalhando com totalidades de maior ou menor abrangência.
Marx pretendia escrever um livro, explicando sua concepção da dialética. Chegou a anunciar o projeto, em dezembro de 1875, numa carta a Joseph Dietzgen. Mas os trabalhos de preparação e redação de O Capital não lhe deixaram tempo para isso. O Capital contêm muitos elementos preciosos para nós estudarmos como Marx entendia e aplicava a dialética.
Nos últimos anos de vida de Marx, enquanto ele se esforçava para tentar acabar de escrever O Capital, seu amigo Engels redigiu diversas anotações sobre questões que nos interessam, relativas à dialética. Marx apoiou ele nas observações que este desenvolvia.
A grande preocupação de Engels era defender o caráter materialista da dialética, tal como Marx e ele a concebiam. Era preciso evitar que a dialética da história humana fosse analisada como se não tivesse absolutamente nada a ver com a natureza, como se o homem não tivesse uma dimensão irredutivelmente natural e não tivesse começado sua trajetória na natureza.
Engels concentrou, então, sua atenção no exame dos princípios daquilo que ele chamou de "dialética da natureza" e chegou à conclusão de que as leis gerais da dialética podiam ser reduzidas, a três: lei da passagem da quantidade à qual idade (e vive-versa), lei da interpenetração dos contrários e lei da negação da negação.
Depois da morte de Marx (em 1883) e de Engels (em 1895), o desenvolvimento do pensamento dialético não se interrompeu e prosseguiu seu acidentado caminho. No final do século passado, o socialista alemão Eduard Bernstein (1850 -1932) passou a criticar os escritos de Marx, sustentando que o capitalismo estava mais forte do que nunca, que as previsões do Manifesto Comunista (de 1848) tinham falhado, de modo que era preciso submeter a uma rigorosa revisão os princípios que Marx tinha defendido. E a dialética, segundo o revisionista Bernstein, era "o elemento pérfido na doutrina marxista, o obstáculo que impede qualquer apreciação lógica das coisas". Bernstein preconizou, então, um abandono da dialética, da herança "hegeliana do marxismo, e um retorno a Kant.
A primeira geração de teóricos socialistas que veio depois da geração de Marx e Engels não conseguiu assimilar a dialética. Nas duas primeiras décadas do Século XX, difundiu-se entre os socialistas, a falsa idéia de que, segundo Marx, os "fatores econômicos" provocavam, de maneira mais ou menos automática, a evolução da sociedade. Mas houve revolucionários que reagiram contra a deformação da concepção marxista da história.
Rosa Luxemburgo (1871-1919) e Lênin (1870-1924) se destacaram na revalorização da dialética. Invocando uma frase de Engels no Anti-Dühring, Rosa sustentou que a história mundial se achava em face de um dilema: ou o socialismo vencia ou o imperialismo arrastaria a humanidade (corno na Roma antiga) à decadência, à destruição, à barbárie. É possível que os termos do dilema tenham sido exagerados por Rosa, por influência da situação, do momento em que ela escrevia , pois, ela estava presa, em 1915, e a primeira guerra mundial tinha começado.
Lênin, por seu lado, desde 1902, empenhou-se apaixonadamente, no plano da teoria política, em abrir espaços para a iniciativa do sujeito revolucionário e especialmente para a iniciativa da vanguarda do proletariado. Em seus estudos da obra de Hegel, em 1914, Lênin atribuiu imensa importância à herança hegeliana do marxismo e advertiu que, sem assimilar plenamente os ensinamentos contidos na Lógica de Hegel, nenhum marxista poderia entender inteiramente O Capital de Marx.
Os estudos da obra de Hegel e as reflexões sobre o método dialético foram de grande valia para Lênin em' sua análise do imperialismo e na elaboração. estratégica que o levou a liderar a tomada do poder na Rússia, em 1917, pelos bolchevistas.
Já as deformações que se desenvolveram na época de Stálin não constituem a única fonte de modos de pensar antidialéticos que se difundem entre os marxistas. Num mundo tão dividido como este em que vivemos, a mera adesão aos princípios teóricos do marxismo nunca pode, evidentemente, funcionar como vacina, imunizando as pessoas contra os males decorrentes de concepções estreitas, unilaterais, preconceituosas. O gênero humano está excessivamente fragmentado, é muito difícil compreendê-lo como totalidade concreta e é muito difícil tomá-lo como base para uma abordagem verdadeiramente universal de certos problemas humanos.
Mesmo os indivíduos mais empenhados na luta pela .transformação da sociedade se confundem, com freqüência, quando falta coesão à unidade deles. A falta de coesão diminui, para eles, as possibilidades de fazerem história de modo consciente.
O indivíduo isolado, normalmente, não pode fazer história: suas forças são muito limitadas. Por isso, o problema da organização capaz de levá-lo a multiplicar suas energias e ganhar eficácia é um problema crucial para todo revolucionário. É preciso que a organização não se ,torne opaca para o indivíduo, que ele não se sinta perdido dentro dela; é preciso que ela não o reduza a uma situação de impotência contemplativa ou a um ativismo cego. Se não, o indivíduo fica impossibilitado de atuar revolucionariamente e se sente alienado na atividade coletiva.
Uma das características essenciais da dialética é o espírito crítico e auto-crítico. Assim como examinam constantemente o mundo em que atuam, os dialéticos devem estar sempre dispostos a rever as interpretações em que se baseiam para atuar e sempre duvidar de tudo.
A dialétiea não dá "boa consciência" a ninguém. Sua função não é tornar determinadas pessoas plenamente satisfeitas com elas mesmas. O método dialético nos incita a revermos o passado à luz do que está acontecendo no presente; ele questiona o presente em nome do futuro, o que está sendo e,m nome do que "ainda não é" (Ernst Bloch).
A dialética intranqüiliza os comodistas, assusta os preconceituosos, perturba desagradavelmente os pragmáticos ou utilitários. Para os que assumem, consciente ou inconscientemente, uma posição de compromisso com o modo de produção capitalista, a dialética é "subversiva", porque demonstra que o capitalismo está sendo superado e incita a superá-lo.

Comunicação e Psicologia: algumas interfaces

A comunicação e a psicologia, ciências que mesmo pertencendo a campos diferentes de atuação acadêmicas, posteriormente, no sentido profissional, elas compreendem o homem enquanto um ser biopsicossocial e cultural, e como também existe proximidades entre diversas outras ciências, mesmo sendo portadoras de objetos de estudo diferentes umas das outras, citando que algumas de suas interfaces que merecem ser analisadas com o objetivo valorizar as possíveis possibilidades de compreensão interdisciplinar desses objetos, o que também chamamos de interdisciplinaridade. Na comunicação e na psicologia, através das relações intencionais, conscientes ou inconscientes, que cercam seus campos teóricos e, portanto encontramos suas relações interdisciplinares. Diante dessas informações, percebe-se que a comunicação foca a relação emissor-receptor e a psicologia terapeuta-cliente. E para existir relações entre essas ciências necessita-se da linguagem, a linguagem se articula no processo comunicativo de ambas, como também nos choques nele envolvidos e aplicados através da intencionalidade, seja consciente ou inconsciente.
Situando as origens do estudo da linguagem, também rompendo com a tradição estruturalista de Saussure e de Pierce, em todo o processo de comunicação tinha sua base nas formas gramaticais e no entendimento de códigos lingüísticos, daí começaram a surgir outros autores, que entenderam esse processo como um fenômeno social, exemplo disso é Bakhtin, ele faz uma crítica à função apenas comunicativa da linguagem e julga necessário que a comunicação seja entendida como um processo situado apenas num enunciado vivo, por parte do emissor e numa atitude responsiva e ativa, por parte do receptor, como acreditava o esquema estruturalista anterior diz que é necessário que o tal processo implique em um todo comunicativo, pois o receptor, ao receber a mensagem, concorda ou discorda, complementa, adapta-se, ou seja, seu papel é tão ativo quanto o do emissor.
Quanto à comunicação, talvez a intencionalidade consciente de que se encontra nas mensagens contida nessa relação de linguagem, seja um aspecto mais abrangente na relação emissor- receptor ou jornalista-leitor do que a intencionalidade inconsciente que esteja nessa mesma relação, mas é importante chamar a atenção para o fato de que essas mensagens apresentam, por trás do seu conteúdo, o discurso escrito, neste caso, ou seja, uma manifestação interna, psíquica, tanto por parte do ser humano jornalista (emissor), como por parte do ser humano leitor (receptor).
Levando-se em conta o conceito de Freud sobre o material que constitui o conteúdo do sonho como pertencente à experiência de quem sonha, um bom exemplo disso é: uma pessoa, ao conta um sonho que perde uma pessoa que lhe é muito querida, pode estar se referindo a perda de alguém da família como, uma avó quem ela muito amava, ou seja, essa avó para ela pode estar se referindo, inconscientemente, a uma situação de amadurecimento, em que se ver obrigada a tomar decisões por conta própria. Parece bem mais natural que aspectos inconscientes sejam, comumente, observados e trabalhados na relação terapeuta-paciente, pois requer-se cautela quanto à forma de lidar com tais conteúdos.
Na linha de pensamento de Mahony, ele entende que a comunicação entre duas ou mais pessoas deve ser compreendida levando-se em conta também o seu oposto, ou seja, a contracomunicação ou, como o próprio diz, a comunicação errada, e em seu três níveis: intrapessoal, interpessoal e intercultural. Esses três níveis podem ser estudados do ponto de vista da subjetividade humana.
Percebe-se que enquanto a comunicação faz o uso de aspectos inconscientes, muitas vezes, sem perceber ou até mesmo acreditar que eles interferem positiva ou negativamente em seu dia-a-dia, já a psicologia parte do princípio de que esses fatores são, basicamente, a sustentação de diversos estudos sobre as relações humanas. A abordagem teórica que analisa esses conteúdos inconscientes das relações humanas é a Psicanálise que, dentre os infindáveis trabalhos publicados na área da psicologia e afins, também pode oferecer embasamento teórico-prático à pesquisa de outras áreas. Embora a psicanálise seja mundialmente difundida, em especial, com referência ao embasamento teórico que originou diferentes linhas de trabalho psicoterápico.
Todo o assunto abordado aqui apenas toca em algumas proximidades entre a comunicação e a psicologia, especificamente, no que se trata dos aspectos inconscientes das duplas jornalista-leitor e terapeuta-paciente, e esses aspectos inconscientes são os pilares da psicologia utilizados para conhecer o homem intrapsíquico e relacional.