A comunicação e a psicologia, ciências que mesmo pertencendo a campos diferentes de atuação acadêmicas, posteriormente, no sentido profissional, elas compreendem o homem enquanto um ser biopsicossocial e cultural, e como também existe proximidades entre diversas outras ciências, mesmo sendo portadoras de objetos de estudo diferentes umas das outras, citando que algumas de suas interfaces que merecem ser analisadas com o objetivo valorizar as possíveis possibilidades de compreensão interdisciplinar desses objetos, o que também chamamos de interdisciplinaridade. Na comunicação e na psicologia, através das relações intencionais, conscientes ou inconscientes, que cercam seus campos teóricos e, portanto encontramos suas relações interdisciplinares. Diante dessas informações, percebe-se que a comunicação foca a relação emissor-receptor e a psicologia terapeuta-cliente. E para existir relações entre essas ciências necessita-se da linguagem, a linguagem se articula no processo comunicativo de ambas, como também nos choques nele envolvidos e aplicados através da intencionalidade, seja consciente ou inconsciente.
Situando as origens do estudo da linguagem, também rompendo com a tradição estruturalista de Saussure e de Pierce, em todo o processo de comunicação tinha sua base nas formas gramaticais e no entendimento de códigos lingüísticos, daí começaram a surgir outros autores, que entenderam esse processo como um fenômeno social, exemplo disso é Bakhtin, ele faz uma crítica à função apenas comunicativa da linguagem e julga necessário que a comunicação seja entendida como um processo situado apenas num enunciado vivo, por parte do emissor e numa atitude responsiva e ativa, por parte do receptor, como acreditava o esquema estruturalista anterior diz que é necessário que o tal processo implique em um todo comunicativo, pois o receptor, ao receber a mensagem, concorda ou discorda, complementa, adapta-se, ou seja, seu papel é tão ativo quanto o do emissor.
Quanto à comunicação, talvez a intencionalidade consciente de que se encontra nas mensagens contida nessa relação de linguagem, seja um aspecto mais abrangente na relação emissor- receptor ou jornalista-leitor do que a intencionalidade inconsciente que esteja nessa mesma relação, mas é importante chamar a atenção para o fato de que essas mensagens apresentam, por trás do seu conteúdo, o discurso escrito, neste caso, ou seja, uma manifestação interna, psíquica, tanto por parte do ser humano jornalista (emissor), como por parte do ser humano leitor (receptor).
Levando-se em conta o conceito de Freud sobre o material que constitui o conteúdo do sonho como pertencente à experiência de quem sonha, um bom exemplo disso é: uma pessoa, ao conta um sonho que perde uma pessoa que lhe é muito querida, pode estar se referindo a perda de alguém da família como, uma avó quem ela muito amava, ou seja, essa avó para ela pode estar se referindo, inconscientemente, a uma situação de amadurecimento, em que se ver obrigada a tomar decisões por conta própria. Parece bem mais natural que aspectos inconscientes sejam, comumente, observados e trabalhados na relação terapeuta-paciente, pois requer-se cautela quanto à forma de lidar com tais conteúdos.
Na linha de pensamento de Mahony, ele entende que a comunicação entre duas ou mais pessoas deve ser compreendida levando-se em conta também o seu oposto, ou seja, a contracomunicação ou, como o próprio diz, a comunicação errada, e em seu três níveis: intrapessoal, interpessoal e intercultural. Esses três níveis podem ser estudados do ponto de vista da subjetividade humana.
Percebe-se que enquanto a comunicação faz o uso de aspectos inconscientes, muitas vezes, sem perceber ou até mesmo acreditar que eles interferem positiva ou negativamente em seu dia-a-dia, já a psicologia parte do princípio de que esses fatores são, basicamente, a sustentação de diversos estudos sobre as relações humanas. A abordagem teórica que analisa esses conteúdos inconscientes das relações humanas é a Psicanálise que, dentre os infindáveis trabalhos publicados na área da psicologia e afins, também pode oferecer embasamento teórico-prático à pesquisa de outras áreas. Embora a psicanálise seja mundialmente difundida, em especial, com referência ao embasamento teórico que originou diferentes linhas de trabalho psicoterápico.
Todo o assunto abordado aqui apenas toca em algumas proximidades entre a comunicação e a psicologia, especificamente, no que se trata dos aspectos inconscientes das duplas jornalista-leitor e terapeuta-paciente, e esses aspectos inconscientes são os pilares da psicologia utilizados para conhecer o homem intrapsíquico e relacional.
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