Resumo
Essa parte do livro se foca na Estética, em suas definições, teorias, análises, investigações, doutrinas e escolas, decorrentes da evolução ao modo de ver e estudar. Inicialmente quando se diz “arte e belo” é porque as investigações diante desses dois objetos coincidem, estão estreitamente mescladas a filosofia moderna e contemporânea. Na filosofia antiga isso não acontecia, porque as noções de arte e de belo eram consideradas diferentes e reciprocamente independentes. Os antigos chamavam as doutrinas da arte de poética, ou seja, arte produtiva, produtiva de imagens. Para Platão o belo é a manifestação evidente das idéias, sendo, por isso, a via de acesso mais fácil e óbvia a tais valores, ao passo que a arte é a imitação das coisas sensíveis ou dos acontecimentos que se desenrolam no mundo sensível, construindo, antes, a recusa de ultrapassar a aparência sensível em direção à realidade e os valores.
A partir do séc. XVIII, as noções de arte e belo mostram-se vinculadas, como objetos de uma única investigação. Essa ligação foi resultado do conceito de gosto, entendido como faculdade de discemir o belo, tanto dentro quanto fora a arte. A investigação de Hume sobre a norma do gosto (1741) já supõe essa identificação, assim como a de Burke, sobre a origem das idéias do sublime e do belo (1756; of, V, I), mas foi, sobretudo Kant quem estabeleceu a identidade entre o artístico e o belo, ao dizer que “a natureza é bela quando tem a aparência da arte”, e que “a arte só pode ser chamada de bela quando nos, conquanto conscientes de que é arte, a consideramos como natureza”. E finalmente Schelling inverteria essa relação tradicional entre arte e natureza, fazendo da arte a norma da natureza e não o contrário. Schelling via arte como a realização necessária e perfeita da beleza a que natureza só chega de modo parcial e causal.
Todavia, a tentativa de separar a ciência da arte da doutrina do belo ocorreu mais recentemente na Alemanha, com vistas a instituir uma “ciência geral da arte”. Essa ciência deveria ter como objetivo a arte em seus aspectos técnicos, psicológicos, morais e sociais, cabendo a ela a consideração do belo, que para ela é tradicional e insuficiente para explicar todos os fenômenos artísticos, porquanto a arte dos primitivos, ex., é grande parte da arte moderna que parecem fugir à categoria do belo. Essas considerações, porem, não parecem decisivas. No uso comum e mesmo no erudito, a noção de “belo” é suficiente ampla para qualificar qualquer obra de arte bem realizada, ainda que represente coisas ou pessoas.
A arte e o belo apresentam uma grande variedade de definições no decorrer de suas histórias. Embora cada dessas definições tenha conceitualmente a pretensão de expressar de forma absoluta a essência da arte, e hoje vai ganhando corpo a idéia de que a maioria delas só expressa tal essência do ponto de vista de um problema particular ou de um grupo de problemas, e fica bem claro que a definição da arte como imitação é a solução de um problema totalmente diferente do problema que tem como solução a definição da arte como prazer.
A teoria da imitação, hoje é definida e praticada pelos partidários ao realismo na arte, sobretudo nos países comunistas e em quem se inspira na ideologia comunista. Mas muitas vezes a interpretação que se faz da imitação elimina exatamente o caráter passivo que caracterizava na formulação clássica.
Todas as teorias estéticas coincidem em considerar dois grupos fundamentais, que consideram a arte como educação ou como expressão. Como educação, a arte é instrumental, como expressão, é final. A teoria da arte como educação é muitíssimo mais antiga e difundida. A teoria da arte como conhecimento pertence ao âmbito da concepção instrumental ou educativa da arte. Hegel expressou-a com toda clareza possível. Procurando determinar o objetivo da arte, ele elimina também as teorias para as quais a finalidade da arte é a imitação. A educação na verdade nada mais é que educação moral, e para Hegel a tarefa da arte produzir a more da arte, ou seja, passar para as formas superiores de revelação da Verdade absoluta, que são a religião e a filosofia.
As teorias que vêem na arte um instrumento educativo com vistas a moral e ao conhecimento ultimamente se juntaram as que nela vêem um instrumento de educação política. Essas são as doutrinas que falam do engajamento político em arte e que exigem do artista uma orientação política precisa, uma obra harmonizada com as classes ou grupos sociais majoritários menos favorecidos que os ajude no esforço de libertação, de conquista e de conservação do poder político.
A teoria da expressão consiste em ver na arte uma forma final das vivencias, das atividades ou, em geral, das atitudes humanas. Se diz que a expressão aclara e transporta para o outro plano o mundo comum da vida. Fica evidente que a noção de expressão e de desabafo tem continuidade, ou seja, o fato de a emoção estética ser a emoção originária, transformada através material, objeto o qual confiado o seu desenvolvimento e a sua realização pelo seu ingresso em novas relações” ou, como ainda se poderia dizer retorna a natureza. E não causa estranheza se, freqüentemente, do Renascimento ao impressionismo, o retorno à natureza serviu para renovar profundamente e com êxito o estilo e o gosto da arte.
A concepção da arte como expressão talvez se disfarce nas afirmações de quem insiste no caráter teórico ou contemplativo da arte, mas é mal disfarçada quando se ironiza ao mesmo tempo sobre a fórmula da arte pela arte, que é a melhor definição do caráter expressivo da arte. Nessa fórmula insistiriam poetas e artistas modernos, que dela se valeram para defender a arte das tentativas de escravização ou manipulação para fins que acarretariam a sua completa subordinação e sua total liberdade de movimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário