terça-feira, 27 de abril de 2010

Resenha e Analise do Livro “Crime e Castigo”

O livro “Crime e Castigo”, uma das maiores obras do escritor russo Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866, dividido em seis partes, faz uma reflexão sobre os conflitos criados em um jovem estudante após cometer um crime, o assassinato de uma velha usurária, para conseguir dinheiro, Rodion Românovitch Raskólnikov, o jovem estudante da Rússia do século XIX, de origem pobre, mas entorpecido de uma avassaladora ambição, que após cometer um crime se vê perseguido por sua incapacidade de continuar a vida após o delito. O livro se baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo. Concordo em gênero, número e grau, percebi claramente que o livro trata do castigo que Raskólnikiv sofre com o crime que cometeu, sendo que, não é nenhum castigo físico e sim psicológico, que o atormenta durante a história. Esse livro é considerado como um dos pilares para os estudos da psicanálise, em conjunto com outras obras do mesmo autor.
Raskólnikiv ao tentar trocar um relógio com uma velha que sobrevivia de trambiques, usando as pessoas em dificuldades financeiras, tem a idéia de matá-la e roubar seu dinheiro, mantido guardado em uma lata debaixo da cama. Após um período de planejamento e preparação, ele põe seu plano em prática, mata a velha e antes de fugir da cena do crime, porém, Raskólnikov também comete, a contragosto, levado apenas pela situação de surpresa, o assassinato de Lisavieta, irmã da velha agiota, pois ela havia visto o cadáver recém-assassinado no chão. Este personagem principal rouba algumas jóias, mas não chega a usufruir deste ganho, e sentindo-se arrependido enterra-as sob uma pedra.
Após tal fato e seus desfechos, o romance relata de maneira detalhista os dramas psicológicos sofridos pelo autor do homicídio, com debates internos sobre racionalizações e tentativas de justificar para si mesmo que aquilo foi uma coisa normal, mostra toda a sua saga, sofrimento, que transparecia remorso, culpa e arrependimento.
Diversas histórias se desenvolvem de maneira paralela à principal, entre elas um romance da irmã do personagem Raskólnikov e as relações do personagem com Sônia.
Apesar de investigar Raskólnikov, a polícia termina por prender um inocente que se intitulou culpado por uma razão pessoal (bem explicado no livro). Entretanto, Raskolnikov é desmascarado pelo personagem mais inteligente do romance, o penetrante e arguto juiz de instrução que, para a humilhação do frustrado super-homem Raskolnikov, e diante disso ele confessa o crime que cometera. A confissão deveu-se, principalmente, à enorme influência de Sônia, que, antes disso, compartilha com Raskólnikov algumas leituras do Novo Testamento.
Por fim, Raskólnikov é preso, o romance termina com a sua chegada aos campos de prisioneiros da Sibéria onde iria cumprir a pena sentenciada pela sociedade e acalmaria sua consciência, que não lhe dava nem mais um minuto de paz. Porém, devido à sua confissão, arrependimento e ótimos antecedentes, sua pena acaba por ser reduzida há oito anos na cadeia. Durante tal período, Sônia, personagem que a partir de certo momento segue Raskólnikov em todas as situações, manteve-se muito presente, servindo até mesmo de mensageira a sua família em São Petersburgo.
Outro ponto que percebi claramente é a idéia de Raskólnikov de que existem homens extraordinários, a quem as leis não podem ser aplicadas, porque a perda de uma vida pode ser compensada com a ajuda de diversas vidas. O personagem principal do enredo citava várias vezes o caso de Napoleão, que derramou muito sangue, mas mesmo assim, ele aplicou seus ideais e ficou conhecido como um homem destemido. Achei a leitura um pouco pesada em certos pontos, isso se traduz no número de páginas do livro. Mas a história é rica e tem um enredo que me prendeu do início ao fim do livro. Gostei da obra e recomendo a leitura, porém, já vou adiantando, reserve um bom tempo pra ler o livro, não é de fácil compreensão aparentemente.
“Crime e Castigo” é indubitavelmente uma das principais obras primas da Literatura Universal, unanimemente reconhecido em todas as culturas ocidentais, visto como o melhor um dos melhores romances de todos os tempos, bem acolhido nas mais diversas línguas e culturas, fascinando a leitores das mais diversas subjeções ideológicas, de ateus a cristãos fervorosos, de comunistas a liberais radicais.
Sem dúvida, trata-se de uma história única capaz de produzir sentimentos diversos e intensos para quem a lê. E se você ainda não está convencido sobre a importância deste livro basta dizer que Crime e Castigo é considerado por muitos, e importantes críticos literatos, como o grande romance de todos os tempos. Então, quem ainda não leu que corra, porque há um universo de inusitadas emoções a serem deflagradas tanto no livro como em si mesmo, dissecações de personalidades e descobertas a cada virada de página que sem dúvida irão fazer valer as palavras aqui escritas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário