quinta-feira, 15 de abril de 2010

“Terra em Transe”

Resenha:
“Terra em Transe”, filme de Glauber Rocha, conta a história de um jornalista que sofre ao ver políticos praticarem atos desonestos em Eldorado. E uma revolução política toma conta desse ambiente. A luta pelo poder deixa o jornalista Paulo Martins no centro de todos os acontecimentos. Atuando como escritor para os políticos, ele deixa sua vida e sua namorada para morar em Alecrim, onde ira trabalhar para Felipe Vieira, candidato a governador. Nessa situação em que um enorme sentimento de injustiça toma conta de Paulo, e ele finalmente entra para a luta armada.
Para o estrangeiro, o filme é de difícil compreensão, mas o brasileiro identifica melhor os aspectos de nossa antiga política, que até hoje vive nesse velho sistema. Mas é sempre preciso ver que se trata de uma alegoria. A câmera vem do mar, que relembra algumas origens portuguesas e tudo se transforma em samba, carnaval e cerveja, no caso hoje seria pizza.
O filme é uma crítica implacável da nossa política e se mantém atual nesse sentido. É um extraordinário exercício de estilo e um retrato psicológico do que é ser brasileiro, do que é fazer política no Brasil, onde tudo no fim dá sempre certo, existe sempre um “jeitinho brasileiro de ser” em todo contexto social.
De modo geral várias coisas se destacam em "Terra em Transe": como o filme foi premonitório, prevendo as guerrilhas que iriam suceder ao AI-5 da ditadura e exemplificadas pela atitude de Jardel Filho; todo o filme é um delírio de um poeta que se rebela contra a situação e vai morrer por isso, um verdadeiro herói. Então tudo é permitido e justifica as ousadias dentro da história, hoje já um pouco absorvidas e mal copiadas. Resiste especialmente bem o lado poético do diretor; toda a marcação teatral, encenada com a câmera perseguindo os atores (meio que vídeo amador), e não o contrário; o filme usa excepcionalmente poucas localidades tipicamente cariocas, como o Teatro Municipal, a galeria Menescal e o parque Lajes, mas sem revelar claramente que é o Rio. Sem dúvida alguma, "Terra em Transe" é uma obra-prima, recomendável a todos os tipos de público, uma aula sobre origem da nossa política e uma afeição figurada ao nosso herói romântico.

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