quarta-feira, 26 de maio de 2010

“Blade Runner” - O Caçador de Andróides

Resenha:
“Blade Runner”, um filme altamente reflexivo, que merece um bom tempo de discussão no seu contexto. Baseado no livro Androids Dream of Electric Sheep, do autor Philip K. Dick, escrito em 1968. Depois de 14 anos (1982) ganha às telas pelas mãos do diretor Ridley Scott. Trata-se de um filme sobre reflexões e conflitos existenciais. Perguntas sobre “Quem somos, o que nos faz humanos, a humanização das máquinas e desumanização dos humanos” são jogadas de forma brilhante durante a trama do filme.
Muitos livros já foram publicados sobre o filme, e em sua versão original, lançada em 1982, teve uma mudança de postura por parte do estúdio. O diretor gostaria de um filme mais reflexivo e o estúdio achava que deveria ser mais comercial. Resultado: A inserção de uma narrativa, “explicando” a trama para o público, corte em alguns takes e um “final feliz” com inserção de imagens de outro filme, a floresta que aparece no final são sobras de cenas do “O Iluminado”. Daí a razão de ter se tornado Cult, pois com o lançamento da versão do diretor, em 92 o público pode aclamar o filme em sua concepção real e extremamente reflexiva.
Interessante é entender a inserção deste filme dentro de uma ordem cronológica relacionada à história do cinema. A linha de tempo é dividida em fases as características. Após 1950 tivemos o cinema da modernidade que questionava esse formato, basicamente devido a utilização da imagem como argumento de guerra. Surgiram os filmes mais reflexivos, menos comerciais. O Herói estava mais cansado, tinha perfil bonachão.
A “limpeza” dos takes do cinema estava em cheque. Essa fase durou basicamente até a metade da década de 80 onde os estúdios começaram a detectar que os filmes extremamente reflexivos não atraíam o grande público. Entramos então na fase da Pós Modernidade cinematográfica onde o cinema volta ao formato dos filmes clássicos, porém com a modernidade que a tecnologia lhes permite, como o próprio “Blade Runner”, um filme altamente tecnológico e com pitadas de reflexão implícitas no filme, mas de forma simples e funcional.
A contextualização se faz necessária para mostrar onde “Blade Runner” se encaixa. É comum a geração mais nova estranhar o filme, justamente por estar atualmente com a Pós Modernidade cinematográfica impressa no seu cotidiano. Mas como um bom comunicador não fica preso ao seu tempo e transita pela história eu recomendo uma leitura visual e analítica de Todo o filme e outras obras desse mesmo contexto. No qual algumas impressões chamam a atenção, como por exemplo, a maneira com que o diretor enxerga o ano de 2019. Televisores de plasma não eram nem imaginados. Algumas cenas do filme, que se passa no futuro trás televisores de tubo, scanners barulhentos e gigantes e até um detector de dilatação da pupila, que hoje em dia é usado em programas populares de auditório. Outro aspecto interessante é como o diretor mostra o contexto social em que o filme se desenrola, com o capitalismo dominando o ambiente. Merchandising da Coca cola, Atari, TDK são recorrentes no filme. O imperialismo americano é colocado em cheque quando a trama se passa em uma Los Angeles povoada por orientais e o modelo bélico também é satirizado ao mostrar um boneco criado com nariz de Pinóquio e uniforme de general.
Enfim, é uma obra com um tema para uma ampla discussão, mas a maior delas é realmente sobre o existencialismo. As máquinas buscam um maior tempo de vida, o que também faz o ser humano. A eterna luta entre o criador e a criatura, a capacidade do homem de testar os seus limites. “O homem é capaz de dar a vida, mas não um sentido a ela.”. Assistam ao filme em suas duas versões e tirem suas conclusões.

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