terça-feira, 16 de novembro de 2010

“Os Benefícios da Cultura de Massa”

Perspectiva integradora da Cultura de Massa
A cultura de massa representa a maior abrangência de pessoas envolvidas. Nesse sentido, é a forma de cultura absolutamente predominante em que jornais, revistas, rádio, cinema, tv, etc., polarizam a atenção das grandes massas, ocupando, vorazmente, todos os espaços que a informação elitizada, ou as manifestações populares poderiam pretender. Mas, exatamente por esse caráter, a cultura de massa constitui-se num enorme desafio para todos, à medida que se caracteriza por inúmeras propriedades que contrastam com a idéia de baixo custo e alto benefício na cultura.
Nas décadas de 1920 e 1930 começaram os estudos e a avaliação da cultura popular. Os fenômenos marcantes foram o advento do cinema, do rádio, a produção e o consumo em massa, a ascensão do fascismo e o amadurecimento das democracias liberais em alguns países. O fato de a cultura tornar-se reproduzida infinitamente, graças aos desenvolvimentos tecnológicos, que gradativamente trouxe benefícios consideráveis na sociedade. Todos podem ter acesso a essa cultura democrática, antes vista como cultura “elitista”, de poucos.
Por outro lado, os pensadores da cultura de massa não consideram o cinema como arte, pois no seu processo de elaboração e exibição, o filme não possui a "aura" de uma obra de arte autêntica. Mas o cinema reconfigura uma nova visão de mundo perante a sociedade, que podem cultuar e ter a sensação diante da inovação do cinema, obviamente feito pra todos.
A mídia encoraja a uma visão acrítica e passiva do mundo, porque ao nível de conteúdo, dão grande informação sobre o presente, "entorpecendo" qualquer consciência histórica. Ela tende a provocar emoções em vez de a representarem; em vez de sugerirem uma emoção entregam-na já confeccionada. Mas a grande acumulação de informação não resulta em apatismo, mas sim em formação, porque a variedade de informação sensibiliza o homem perante o mundo.
O erro dos apocalípticos-aristocratas é o de pensarem que a cultura de massas seja radicalmente má precisamente porque é um produto industrial, e que hoje possa acontecer uma cultura que se subtraia ao condicionalismo industrial
A indústria cultural tende a desenvolver uma oferta de produtos para públicos diferenciados, logo, a disputa pelos públicos consumidores pode abrir lugar à inovação. Da mesma forma, a natureza diferenciada das indústrias culturais constitui um fator de relativização dos efeitos massificadores que lhes podem ser imputados.
Outro dilema importante, também referido é o dos interesses culturais versus interesses econômicos. A inovação e a criação original é quase sempre uma ameaça financeira a evitar - caso dos produtores independentes e suas dificuldades financeiras. Por outro lado, há penetração do capital na produção, circulação e consumo cultural. Este processo organiza-se segundo um jogo com duas lógicas contrárias: reprodutibilidade capitalista e raridade da obra. O trabalho cultural ao ser inserido no processo da Indústria Cultural transforma-se em trabalho coletivo. Por isso, continua a ser valorizado segundo o ideal do criador e princípio da raridade.
Na perspectiva dos Integrados, estes defendem que estamos a viver, com a cultura de massas, uma época de alargamento da área cultural - de democratização cultural. A TV, o jornal, a rádio, o cinema, a banda desenhada, são meios de comunicação que colocam os bens culturais à disposição de todos.
Estamos vivendo na era da Informação, em um mundo onde aprendemos, gradativamente, a encurtar as distâncias e a redimensionar o tempo. O cotidiano das pessoas está, continuamente, sendo transformado com a incorporação de produtos que permitem a comunicação com qualquer parte do planeta.
Através da televisão as pessoas recebem as notícias, em tempo real, do que está acontecendo ao redor do globo terrestre; pelo telefone, principalmente, e pela internet, são enviadas mensagens, possibilitando a interação com quem está do outro lado da linha. E essas experiências de "viagens sem sair de casa", vão abrindo os horizontes e criando intercâmbios e trocas que beneficiam o modo de vida das pessoas.
Hoje, os acontecimentos locais sofrem a influência de algo vivenciado por povos do outro lado do mundo. Através desses estímulos, a viagem televisiva vai tomando forma por meio dos devaneios que fazem crescer a expectativa quanto à realização do desejo de conhecer outros lugares, outras gentes, outras culturas.

“Good Copy, Bad Copy” - Pirataria: Modificando as Relações de Produção

O documentário “Good Copy, Bad Copy” - dirigido pelos dinamarqueses Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke - revela como as pessoas ao redor do mundo têm se colocado diante da questão direitos autorais, através do desrespeito deliberado das leis desses direitos e da formação de grupos e até partidos políticos que requerem mudanças nessas leis. Para a maior parte delas “as leis atuais estão inibindo o fluxo de criatividade” e o “Copyright é uma forma de prevenir que a sociedade se torne produtora de cultura”.
Transformar um tempo em que as possibilidades artísticas estão esgotadas requer mais do que uma revolução criativa. Uma vez que a replicação e a reapropriação de informação alheia fazem parte dessa revolução, na forma de sampling, mashups e P2P, a transformação exige também o ingresso nas frentes de batalha pela cultura livre e pela partilha de conteúdos.
“Good Copy, Bad Copy” é debate sobre direitos autorais e cultura. O filme retrata a atualidade do tema e as controvérsias geradas pelas novas tecnologias. Um dos focos é a não compatibilidade dos formatos considerados padrão e o perfil dos consumidores de cultura nos dias atuais. Foi realizado na Dinamarca e exibido na emissora local DR2.
A Indústria do Entretenimento ainda não sabe como lidar com a nova cultura de reprodução. Ou não quer. Como discutido em sala de aula, o impacto do atual modo de produção artística para quem já tem um modelo constituído no mercado é muito grande e ao longo do processo da democratização de informação, novos atores serão incluídos e outros excluídos. A opção tomada pela indústria para manter sua posição no mercado é a de pressionar através das ferramentas disponíveis no meio jurídico. E na medida em que a indústria sente que não existe alternativa que não seja se adaptar, ela continua a usar as leis para impor um novo modelo de negócios.
O filme vai questionando justamente as principais frentes de batalha pela cultura livre e a partilha de conteúdos como Estados Unidos, Suécia e Brasil. Entre os entrevistados destacam-se os mashupers Girl Talk e Danger Mouse, John Buckman da netlabel comercial Magnatune, Anakata e Tiamo do Pirate Bay, Lawrence Lessig e Siva Vaidhyanathan.
Numa perspectiva mais sociológica clássica, filmes como “Good Copy, Bad Copy” não seriam exibidos dentro dessa temática. O conceito de revolução convencional fala de transformações nas estruturas de poder de uma sociedade.
Durante muito tempo a “revolução” designava os movimentos bruscos dos astros, que passeavam pela galáxia indiscriminadamente provocando desespero nos primeiros pensadores que tentavam entender o seu funcionamento. Logo depois foram orientados sobre a mudança no conceito de revolução ocorrida após a queda da bastilha em 1789. De uma explicação da mudança dos astros para uma mudança brusca nas estruturas de poder de uma sociedade, uma revolta, uma reorganização da vida orientada por ideais iluministas.
Um olhar mais atento perceberá a revolução apresentada no documentário de Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke. Uma revolução que mexe sim com as estruturas de poder. Do poder de criar e veicular a criação livre dos autoritarismos presentes nas leis de direitos autorais.
O que "todo mundo" pensa hoje sobre as possibilidades de construção colaborativa do conhecimento, da arte, das tecnologias? No decorrer do documentário, muitas pessoas apresentam seus pontos de vista sobre criatividade, propriedade intelectual, compartilhamento pela internet etc. Aparecem tanto os ciberativistas quanto os defensores da indústria cultural que alega ter prejuízos com a nova indústria cultural. Termos como sampler, download, upload, bit torrent, creative commons ('criei tive como', em português do Brasil!), copyleft (em oposição direta ao copyright), entre outros, são recorrentes em todo o documentário. Tais termos indicam que há algo acontecendo de novo no mundo da criação artística. Brotam reclamações, processos, cancelamento de sítios eletrônicos, fechamento de provedores de internet, por todos os lados. É certo que isso está incomodando.
Chamam de “pirataria”. Um dos sujeitos que aparece no filme, representante de Hollywood, chega a definir o conceito: segundo ele, “pirataria é a apropriação inautorizada e sem compensação de propriedade intelectual”. O DJ Girl Talk defende-se com uma pergunta provocativa: “porque perseguir alguém que claramente só está tentando fazer música?” O fio condutor do filme é uma discussão sobre a construção colaborativa do conhecimento, o que certamente incomoda os interesses de quem ganha com a privatização dos saberes.
O que entendemos por criatividade? A constituição dos EUA fala em proteger os direitos dos criadores, mas o que isso significa? Até que ponto a justiça, com sua emblemática imagem de olhos vendados, alcança os seus propósitos de “proteger os criadores”? Os argumentos de alguns entrevistados caminham no esclarecimento dessas questões. Dr. Lawrence Ferrara, por exemplo, sobre as noções de propriedade intelectual e direitos autorais, pergunta: “quem é o dono? E do quê? Qual a função do direito autoral?” Representantes da indústria alegam que “as coisas ficaram fora do controle”. Controle de quê (quem)?
Por outro lado, em outubro de 2007 a banda inglesa Radiohead anunciou o lançamento do seu sétimo álbum, intitulado “In Rainbows”, e o disponibilizou para venda apenas pela internet. Sem contrato com a gravadora EMI e mantendo um estúdio próprio, a banda decidiu disponibilizar o disco em mp3 para download pelo preço de zero a 100 libras, de acordo com o que o cliente escolhesse pagar.
Apesar dos representantes da banda não terem disponibilizado nenhum número com relação às vendas, o Forbes.com revelou que já no primeiro dia do lançamento do disco, apesar de ser grátis no site oficial, 240 mil pessoas fizeram o download através do BitTorrent.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Reforce sua identidade e cresça como um "verdadeiro" profissional

A falta de emprego ou a simples possibilidade de perdê-lo assusta muitos hoje em dia. Mas algumas vezes ficar sem trabalho pode ser um divisor de águas e representar um bom momento para repensar e dar um novo foco à carreira profissional. Em momentos de crise, como dizia Einstein, "só a imaginação é mais importante que o conhecimento".
"Quando buscamos um emprego, somos mais do que nunca uma combinação única de nossos conhecimentos e habilidades, de nossa personalidade, experiência, valores, e como não, de nossa imagem", o que chamamos também de "anteprojeto de marca pessoal". É fundamental tirar proveito do real potencial profissional para projetar a marca pessoal, fugindo do básico. "É como uma dieta. Você notará os resultados se seguir a bem-sucedida receita dos três 'Pés': paciência, prudência e perseverança".
Independentemente da profissão, é importante se dar valor. Para isso, basta identificar seu espaço e encontrar um estilo próprio. A chave passa tanto por uma boa estratégia de comunicação como por um relato atraente que conecte o público alvo.
Especialistas em comunicação e marketing destacam a relevância da diferenciação, independência, reconhecimento, reputação e credibilidade do profissional para que se chegue ao real valor de seu trabalho.
Diante disso se estabelece cinco pontos de onde partir para criar uma marca pessoal.
• Objetivos - "Não há vento propício se não se sabe para onde ir. Quem sou? Como sou? O que quero conseguir? A quem quero me dirigir?. Essas são as chaves".
• Diferenciação - "Para ser, é preciso ser diferente. O que fazer? Em que campo me destaco, sou bom ou me motivo?".
• Estratégia - "Quais passos darei para conseguir meus objetivos? Que imagem vou projetar de mim mesmo?".
• Convicção - "É preciso se dar valor. A convicção, na profissão e no valor profissional, é percebida. Ela rende, é algo que atrai, que gera seguidores. Só é necessário encontrá-la e saber projetá-la".
• Paciência - "A maioria dos que fracassam tentou antecipar a hora do sucesso".
Por trás de uma marca pessoal deve haver uma história coerente, viva, estruturada, crível, sedutora e autêntica construída com base em valores, idéias, as palavras, imagens e projetos que se deseja transmitir. "O relato bem narrado simplifica, interpreta, clarifica, comunica, integra, motiva, persuade, mobiliza, emociona, humaniza um serviço, um produto e quem o vende".
A ajuda da internet e de redes sociais para expandir a marca pessoal são inventadas, mas existem riscos. "O maior é crer que estar nelas é o fim, e não o meio para chegar, conectar e interagir com outras pessoas. Conhecer a rede e a forma de comunicar-se nela é chave para ficar conhecido, aproximar-se da interação com o público, debater e receber propostas, criar opinião e, definitivamente, se referência no âmbito profissional".
No que se refere ao custo que uma marca pessoal tem que criar, lembrando que "não é questão de dinheiro, mas de tempo, dedicação e de querer crescer e melhorar como profissional".
Criar uma marca que forneça valor e tenha boa reputação não é fácil. Nosso nome, nossa reputação será algo que nos acompanhará por toda a vida.
"Poderá mudar, sem dúvida, mas nunca poderemos descuidar de áreas mais humanas como a forma de atuar, a maneira de nos relacionar, a honestidade e nossa credibilidade. É ela a que somará ou diminuirá qualidades ao prestígio como profissionais".

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

“O Pianista” – Roman Polanski

O filme “O Pianista” de Roman Polanski, recebeu várias críticas no Brasil, tanto as construtivas quanto as destrutivas (coisa que é comum), desde os elogios mais rasgados até aos defeitos “mortais” foram expostos a todos. Confesso que quando fui assistir ainda estava confuso com tudo que disseram sobre o filme e não tinha idéia do que esperar daquelas próximas duas horas.
Ao terminar o filme fiquei extasiado com tudo aquilo que vi, minha cabeça foi a “mil”, pensei comigo: não sei se essa foi a melhor hora de assistir este filme! Pois em minha mente estava muito fresca a idéia de guerra, quer dizer, está muito fresca! E tudo isso sem contar com a guerra civil que estamos enfrentando no Brasil, é muito perturbador isso tudo, você liga a TV e pode escolher qual canal você quer acompanhar a guerra, talvez aquele “mais legal” ou aquele outro “mais ousado” e o que é pior, tudo ao vivo, mesmo assim prefiro o cinema que como documentário nos mostra tudo com uma pequena diferença, de um jeito mais “lírico”, se é que pode existir isso.
O filme de Roman Polanski é ótimo, excelente. A maior injustiça foi feita este ano no Oscar, ter dado o prêmio de melhor filme para “Chicago” (não estou tirando o valor do filme), mas o melhor mesmo foi “O Pianista”. Cada dia que passa me convenço mais e mais que o que rege tudo no mundo é a política, “a habilidade no trato das relações humanas, com vista à obtenção dos resultados desejados a quem lhes é favorável”. Seja na guerra, na paz, no dinheiro e agora até no entretenimento... como é possível explicar O Pianista não ter ganho o Oscar de melhor filme se teve seis indicações e ganhou três das mais importantes (diretor, ator e roteiro adaptado), ganhou o Palma de Ouro em Cannes (apesar de alguns críticos dizerem que foi pelo conjunto da obra de Polanski), ganhou sete Césares e o BFTA.
Enquanto Chicago que também com louvor ganhou três Globo de Ouro (melhor filme de comédia ou musical, melhor atriz para Zellweger e melhor ator para Gere) e teve treze indicações ao Oscar ganhando seis, sendo quatro de prêmios técnicos e ainda assim levou o Oscar de melhor filme. É claro, seria muita “burrice” minha pensar que a Academia daria o Oscar mais esperado da noite a um filme de guerra em plena guerra, seria o “ó” da hipocrisia? Ou será que por causa da Miramax? Política? Para não se render totalmente à Polanski? Ou será que Chicago mesmo não ganhando nenhum dos prêmios importantes e nem sequer indicando seu melhor ator é realmente melhor que O Pianista?? Afinal, a Academia deu o prêmio a Michel Moore (Jogando Boliche por Columbine – Documentário) e ele é anti Bush, e seu documentário faz críticas ao governo... mas a resposta para todos estes pontos de interrogações é simples, se pensarmos bem, mais uma vez a Academia ficou em cima do muro, literalmente!!! Enfim, deixemos a política de lado e vamos falar sobre o filme.
O filme é lindo (no sentido cinematográfico, claro) muito bem conduzido, mostrando os dias de um pianista Polonês tentando sobreviver diante de todos os absurdos da guerra. O filme mostra muito bem o gueto de Varsóvia, a humilhação, a fome, a sujeira e é claro, a morte de um modo especial, com uma visão muito verdadeira (mortes mostradas em primeiro plano), faz com que a gente saia do cinema com a certeza que tudo aquilo foi real, que pessoas passaram por aquilo e que não é fantasia muito menos um musical, apesar da boa música. Polanski foi mais que merecedor deste prêmio.
Só uma pessoa que passou por tudo aquilo poderia mostrar com tanta verossimilhança. Confesso que por várias vezes fiquei com aquele famoso nó na garganta, fechei os olhos para determinadas coisas e senti vergonha de fazer parte desta humanidade tão violenta e hipócrita. Sentimento que recentemente senti assistindo Cidade de Deus e a última vez que vi algo muito bem feito sobre a temática foi através do ícone A Lista de Schindler (Steven Spielberg). Em relação às atuações elas foram ótimas, Adrien Brody dispensa comentários, só vendo mesmo.
Thomas Kretschmann, Emilia Fox, Ed Stoppard, Frank Finlay, Julia Rayner, Jessica Kate Meyer ajudam e muito o filme, mas o que eu quero ressaltar são as atuações dos figurantes, daqueles cujo os papeis são secundários, cujo papeis teoricamente não teria muita importância e mais uma vez Polanski surpreendeu.
É de tirar o chapéu, incrível como tudo parece ser mais real do que já é, a cena em que alguns judeus são obrigados a dançar é maravilhosa, nitidamente você nota o medo, raiva e angustia em semblantes totalmente desconhecidos da massa. E por falar em boas cenas, quero destacar uma que ficou marcada em minha mente, é a em que Wladyslaw toca piano para o Alemão que o encontra escondido, é simplesmente maravilhosa, tudo destruído pelos alemães, o quarto a cidade e o próprio pianista que esta em ruínas, o alemão manda ele tocar uma música e a gente se pergunta será que ele vai conseguir? E ele começa a tocar piano meio tímido “fora de forma” e aos poucos começa da dedilhar como se nada tivesse acontecido ou acontecendo, uma fotografia maravilhosa e uma luz perfeita.
Como eu já disse no começo, é um dos melhores filmes do gênero que já assisti e quem melhor escreveu sobre isso foi o crítico Rodrigo Fonseca do JB que disse...” além de uma poética perturbadora que tenta buscar o que há de belo no feio e o que pode haver de esperançoso num cenário de dor... Polanski e a poesia do absurdo.” Vale muito a pena ver, e tenho certeza que vocês vão concordar comigo em pelo menos uma coisa, O Pianista foi o melhor filme de 2002.

“Chinatown” - Roman Polanski

Falar de Chinatown apenas como uma mera homenagem ao film noir, e pior, assistí-lo desta forma, significa limitar profundamente o potencial de uma das mais extraordinárias experiências cinematográficas às quais um espectador no limiar quase inocente de sua passividade pode ser submetido. E se todo noir é meio como um parágrafo a mais no extenso tratado da dubiedade humana, o filme do polaco é uma espécie de resumo da coisa toda. O filme é dirigido por Roman Polanski e foi lançado em1974.
O roteiro de Robert Towne é uma complexa e incrivelmente densa aula de como, afinal, se escreve pra cinema. O tempo todo brincando com o espectador, o tempo todo engendrando detalhes e promovendo um número de reviravoltas que quase não cabe em 130 minutos. E há uma série de ecos internos, um diálogo do filme consigo mesmo que por sinal é um simulacro da própria atividade de J.J. Gittes, cujo fundamento ao qual quase sempre o detetive é fadado é percorrer toda a amplitude de um caso para reencontrar a solução, sob outra perspectiva, no início do círculo.
O modo como a buzina do carro de Evelyn é usada da primeira vez para causar um efeito tão forte no final do filme é coisa pra ser documentada e catalogada como artifício de linguagem. Chinatown ainda oferece uma galeria de personagens fantásticos.
A cena do primeiro encontro de Gittes e Evelyn é antológica e praticamente resume o tom que permeia a relação dos dois por quase todo filme, com Evelyn escondendo-se sob uma parede de gelo enquanto Gittes tenta sem sucesso disfarçar sua vulgaridade natural (coloque-se a ênfase em qualquer das duas palavras) com um terno riscado, um cigarro e um vocabulário muito frágil e cuidadoso.
Lou Escobar é o referencial determinante para o ar de fracasso que persegue Gittes de antes, durante, a depois do tempo presente do filme. E por uma simples diferença de adaptação, tanto numa Chinatown quanto (daí um pessimismo constante por toda a obra) em qualquer outro lugar onde deve-se (ao que parece, sempre) “fazer o menos possível”. E de Noah Cross resta John Huston (um dos diretores angulares na construção do film noir) com um desempenho inacreditável na caracterização definitiva do velho rico e asqueroso, reduzindo a nada a distância entre o sádico e o divertido.
Talvez o que mais aproxime Chinatown do noir (ou melhor, o que o torna um representante genuíno do ‘gênero’), acima dos arquétipos como detetives, crimes intrincados, femme fatales… é um sopro intenso de amargura como matéria-base. Os acontecimentos sempre terminam corroendo e derrubando seus personagens (e No Silêncio da Noite é o filme essencial neste sentido). Inclusive é difícil acreditar que Robert Towne imaginasse um final diferente, e que Roman Polanski teve que conquistar aquela que é a cena-chave do filme à força. E é o final mais trágico possível, onde todos os maiores medos dos protagonistas foram preenchidos com uma ênfase de crueldade.
Chinatown é daqueles filmes que merecem mesmo um estudo minucioso. Muito do que construiu o cinema neste mais de um século está ou explícito ou latente nesta que é uma das maiores obras-primas do cinema americano. Um noir épico.

“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” - Otto

“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é o quarto álbum de Otto, foi lançado em 2009. Desde que saiu do Mundo Livre S/A, Otto passeou entre elogios e críticas negativas a sua proposta musical na mesma proporção. Sempre achei interessante o seu trabalho, apesar de considerar que em alguns momentos há certos deslizes, mas nada que comprometa muito. Sem lançar nenhum disco de inéditas desde “Sem Gravidade” de 2003, que já mostrava diferenças em relação aos álbuns anteriores, o pernambucano volta à tona.
Inicialmente foi somente lançado no exterior, angariou bons comentários de jornais como o Boston Globe e o New York Times. O nome do disco extraído da primeira frase do clássico de Franz Kafka, “A Metamorfose”, representa muito do que se ouve nos 40 minutos, pois vemos uma transformação da sua música, ainda que esta seja sutil e não tão drástica como a imaginada por Kafka.
Com um certo desgosto por gravadoras, Otto resolveu construir o seu novo disco todo baseado na amizade. A banda é composta por Fernando Catatau do Cidadão Instigado na guitarra, além de Dengue e Pupillo da Nação Zumbi respectivamente no baixo e bateria. Pupillo também ajudou na produção e a gravação foi feita no estúdio Totem de propriedade de Fernando Catatau e Kalil Aiala. A capa ficou por conta do artista pernambucano Tunga.
Nas 10 faixas temos a participação especial de Céu, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) e da mexicana vencedora do Grammy, Julieta Venegas. “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é um disco mais orgânico, com maior influência do rock e da mpb, mais melódico, mas sem deixar de lado a eletrônica e a mistura de ritmos que Otto sempre promoveu. Sem dúvida é o trabalho mais acessível da discografia do artista até aqui.
Todas as faixas descem redondas, sendo que a parceria com Céu em “O Leite”, a visceral “Crua”, a poderosa “6 Minutos” com uma interpretação forte de Otto e de Fernando Catatau na guitarra, além da releitura de “Naquela Mesa” do repertório de Nelson Gonçalves, merecem um maior destaque. No disco, Otto acerta em cheio e com simplicidade e na base da amizade cria o seu melhor registro.
O álbum traz 10 faixas e pode se dizer que este é um disco de amor. Não de amor romântico e meloso, mas sim de um amor mais amplo, um amor fraterno e de devoção. O lado fraterno vem principalmente na brega e bela “Naquela Mesa”, regravação de Sérgio Bittencourt que narra as lembranças do filho sobre um pai ausente. O órgão dá um clima nostálgico e melancólico e o estilo de cantar de Otto traz à memória cantores como Agepê, Luiz Ayrão e Benito di Paula. Brega, mas bacana.
A devoção está presente na canção “Janaina”, homenagem à Iemanjá. Musicalmente esta pode ser uma reminiscência do tal manguebeat. Os tais batuques do estilo em que Otto começou sua carreira pouco aparecem neste trabalho. Felizmente. Traz também uma junção interessante de orquestra e instrumentos de percussão. Muito legal e bem interessante.

“Império dos Sonhos” - David Lynch

“Império dos Sonhos, do diretor David Lynch, é um filme suspenso no ar, pra ser assistido com a cabeça partida ao meio, distante de tudo já visto, de tudo que o cinema ensinou quanto à sua formulação. É preciso vê-lo com se fosse o primeiro filme do mundo. Ele nos mostra uma forma significativa de limitar profundamente o potencial de uma das mais extraordinárias experiências cinematográficas às quais o espectador pode ser submetido.
Não estou certo, mas, mesmo que soe um impropério desmedido se tratando de David Lynch, não quero acreditar que ele ainda possa ir além de Inland Empire. Se for, uma fenda vai se abrir no céu e tragar o universo. Nada nunca foi tão extremo, até mesmo para um cineasta extremo, como Lynch. Por mais que Eraserhead e Cidade dos Sonhos sejam pesadelos em película, ainda mantém um fio de conexão com o mundo fora do sonho, no qual o espectador pode se agarrar com todas as forças para não ser engolido pelo redemoinho mental do diretor. Império dos Sonhos simplesmente desrespeita qualquer comparação. É aterrorizante, destrutivo, a mais profunda das dimensões paralelas, onde não há a menor possibilidade de distinção entre um plano e outro; se o mental, o ficcional ou o real (imaginando que este chegue em algum momento a existir).
A mente de Nikki é despedaçada e liquefeita, dando partida a algo novo, que não é loucura ou sanidade, ódio ou paixão, alegria ou terror, mas tudo no mesmo espaço ao mesmo tempo discorrendo na mais absoluta liberdade. Não se encaixa Império dos Sonhos em termos calcados numa base palpável.
Pra mim, Império dos Sonhos foi o tempo todo (e em todos os tempos) metacinema, incluindo talvez muito (ou quase tudo) do próprio David Lynch enquanto autor. Nikki é digerida por seu trabalho, repartindo-se numa multiplicidade de cenas e personagens, implodindo-se numa via-láctea de faces, emoções e situações. Se ela começa como pessoa, única, bastando-se em si, é logo consumida pela Hollywood, pelo próprio cinema, passando a viver todos os tempos distintos entre todos os filmes contidos dentro de Império dos Sonhos, de uma vez só, como quando conversa com todas as prostitutas dentro de um quarto fechado.
Não sei se é o melhor do Lynch porque o filme simplesmente não permite alinhamento a outros títulos, é coisa de outro mundo, de outra época. Além do mais, ele está corroendo minha mente. Estou prestes a entrar em coma, estou a dois passos do autismo

“Play” - Moby

O album “Play” do Moby, lançado em 1999, criou um estilo música eletrônica para todos os públicos. Ele coincidiu com o fim de um apelo mais restrito desse gênero musical, ainda que seja injusto dizer que foi o único responsável pela disseminação da música eletrônica junto ao grande público: o sucesso deste disco se deve, em grande parte, á inclusão de elementos de blues, gospel e rock.
Apesar de músicas como "Honey" e "Bodyrock" terem se tornado clássicos das pistas - de Ibiza a São Francisco -, este não é um disco de dance, mas um álbum pop. Pois o Moby se inspira em várias fontes, construindo a irresistível música de abertura, "Honey", em torno de curtos samples da maior representante do blues da Geórgia, Bessie Jones.
Play se torna bem legal no sentido essencial da obra, pois se utilizando de elementos fora do comum ainda sim está enquadrado no contexto da musica eletrônica.
Em referência à seus anos mais underground, Moby ainda hoje é considerada um banda clássica no cenário eletrônico-pop, utiliza suas batidas frenéticas do tempo em que a gente ainda dançava jungle.
O interessante é que o álbum teve um êxito comercial esmagador, atingindo o primeiro lugar das paradas inglesas e tendo vendido mais de dois milhões de cópias.
Esse disco tem aquela chamada “pegada eletrônica”, e é tido como um dos álbuns mais marcantes da musica eletrônica. É nesse sentido que Popularescos ou não, é inegável que “Play” contribuiu para a formação da história da cena eletrônica em todo mundo.
Tudo é bem legal, eu particularmente recomendo a todos os tipos de públicos: dos críticos aos adeptos. Convoco a todos venha provar um pouco desse ambiente bastante diversificado e interessante que a música eletrônica nos proporciona, no contexto do álbum “Play”.

“Por Pouco” – Mundo Livre S/A

Mundo Livre S/A é uma banda nascida em 1984 em Recife, PE. O nome foi retirado do personagem de TV Agente 86, que fazia diversas apologias ao mundo livre. Nasceu no bairro beira-mar de Candeias, em Recife, mesmo lugar em que foi redigido o manifesto Caranguejos com Cérebro, marco do Movimento Mangue, que prega a universalização/atualização da música pernambucana. Fred Zero Quatro, vocalista do Mundo Livre S/A, foi o autor do manifesto, juntamente com Renato L. e Chico Science. O Mundo Livre foi uma das bandas fundadoras do movimento Manguebeat.
Como dizia Otto, Fred Zero Quatro é a mistura de Jorge Ben com The Clash. Difícil pensar numa combinação como essa, mas isso só se você ainda não ouviu Por Pouco. A variedade de ritmos (rock, reggae, rockabilly) e o discurso politizado do Clash estão presentes. O samba, bossa, samba rock, swing, lirismo, safadeza de Jorge Ben, também. A eles coloque-se uma pitada de Tom Zé e, pensando bem, não poderia haver melhor definição para este disco (Por Pouco 2000).
E uma palavra que une as três facetas é ironia. Tapa na cara, mas sem luva de pelica, nos melhores momentos, o disco serve de espelho da mediocridade da vida urbana brasileira do início do novo milênio, inútil, manipulada, que vem e vai no trânsito, no Jornal Nacional, no consumismo, no sonho da casa própria e na gostosa que sonhamos inutilmente um dia comer. Essa desilusão ganha um desenho extremamente sarcástico em Por Pouco, herdeira direta de Inútil, do Ultraje a Rigor, anti-hino da derrota das Diretas Já nos 80. Ela é um retrato do Brasil, o país das intenções nunca realizadas, da bola na trave, o país do futuro só que o ano 2000 chegou e a gente estava na mesma.
“Estamos quase sempre otimistas
Tudo vai dar quase certo
Pois o ano esta quase acabando
Depois de termos quase certeza
Que dento em breve teremos um quase alegre carnaval
Por pouco não trouxemos o penta
Quase acertamos na loto
Quase compramos a casa
Quase ganhamos o carro
A moça da banheira ficou quase nua
A gostosa da praia quase dá, não dá”.
Desilusão que já está presente desde a primeira música. Com jeito de manifesto, o Mistério do Samba é imperativo em sua desconstrução de tudo o que o samba não é:
“O samba não é carioca
O samba não é baiano
O samba não é do terreiro
O samba não é africano”
E por aí vai, como se dissesse, o samba é livre, “não tem mistério”, terminando na conclusão perfeita: “E como reza toda tradição, é tudo uma grande invenção”.
Nesse clima de desilusão, o disco encontra um espaço para o amor, em momentos carinhosos e safados. Que nem Mexe Mexe, composta por Jorge Ben, ele mesmo, que é Jorgebeniana até o último fio de cabelo, sem o menor pudor. Começa com uma levadinha no violão, boa de dançar, devagar, difícil não mexer pelo menos a perna embaixo da mesa. Na sequência vem o Melô das Musas, com um elogio explícito a Wânia, a mulher "com um dábliu maiúsculo, um dábliu formidável, bem maior que minha testa", gostosíssima, saindo do mar e “eu não vou sair daqui sem ver ela sair da água”.
Daí o ritmo acelera forte pra Treme-treme, versão de Shackin’ all over, que vira “se tremendo toda”, rock com clima Clashiano, nervoso. “O seu olhar me comanda e manda eu me mexer. E a tremedeira é rebatida pra você”. É nervosa também na ansiedade dele pela conquista e daí a tremedeira passa pra ela, vira um orgasmo.
E depois da transa, do sexo forte, vem aquela relaxada na cama. Meu Esquema, uma bossa swingada, sopros suaves, a declaração de amor mais masculina que conheço: “ela é meu treino de futebol, ela é meu domingão de sol, concerto de rock and roll, torcida gritando gol, playcenter, pista alucinada, inferninho, esporte radical, poderosa viciante, mas não faz mal, o que meu médico receitou, Rivaldo maravilha mandando um gol, minha chapação”. Lendo assim, parece ridiculamente machista, mas Fred Zero Quatro dá a ela uma convicção que muda completamente a maneira como a gente entende cada palavra.
Mas esse é um lado do disco. O outro é o do discurso politizado que apesar de às vezes beirar o panfleto, tem também sacadas excelentes. É metralhadora giratória, e sobra pra todo lado: a violência urbana (“Algo me alvejou, ai, olha o sangueiro irmão, segura que eu vou cair”, no samba Tomzeniano Super Homem Plus); a sociedade de consumo e o mercado (“O mercado vive em guerra... Não há lugar pra escrúpulos... Cedo ou tarde você vai se entregar ao mundo livre, não adianta, não há como escapar”, de Concorra a um Carro); os Estados Unidos em Lourinha Americana; as mega corporações, a Nike, o Congresso, os governos, os partidos e políticos em Batedores.
Dentro desta perspectiva, Por Pouco é o Cabeça Dinossauro dos anos 90. Retratos do país, cada um em seu tempo mostra quem éramos. O Cabeça, mais explícito em sua crítica às instituições, era raivosamente adolescente, portanto mais inocente, como a democracia, que engatinhava. Por Pouco faz o mesmo, mas com um cinismo de quem está ficando adulto, perdendo as ilusões. Pois é claro que nós crescemos, superamos a ressaca do impeachment, ganhamos a guerra contra a inflação, saímos da faculdade e agora precisamos conseguir um emprego, comprar uma casa e constituir família (lembram do início de Trainspotting?). Se sobrar tempo, quem sabe você não continua indo em busca de seus sonhos? Só que a essa altura você já começou a perceber que aquele futuro brilhante que sua mãe e sua avó tinham certeza que te esperava talvez esteja um pouco mais distante do que você pensava ("Droga, foi por pouco!").
Não é fácil olhar pro nosso lado ruim. O Mundo Livre S/A teve a coragem de fazer isso, olhou o país, mastigou, regurgitou e vomitou Por Pouco em nossa cara. A gente pode até não gostar, mas vai ser difícil não se reconhecer nele. E ainda mais interessante é que apesar de toda a desilusão, o disco termina otimista, com as versões para Minha Galera, de Manu Chao, e de Garota de Ipanema, que exaltam coisas simples, como os amigos, a namorada, a praia. E nisso ele não consegue fugir de ser, ele mesmo, um espelho da contradição brasileira, sempre lidando com problemas que não consegue resolver, sonhando com coisas que não consegue ter, mas sempre otimista, exalando sensualidade e sempre disposto a curtir a vida.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Considerando que o conceito de marketing não se restringe ao de venda, mas está relacionado ao estabelecimento de metas e a administração das trocas simbólicas, estando envolvidos neste processo sentimentos e emoções, qual é o papel das relações públicas no marketing? "por Manoella Neves"

"por Luciano Pinto"
Em meu entender, o relações públicas está situado no contexto do marketing, na relação com o marketing social, que envolve técnicas de publicidade, mas aí não se pretende aumentar as vendas, caso contrário se trataria de questões do Marketing, que também fazem parte do campo das Relações Públicas. Com a otimização da relação de trabalho, compete aos profissionais de relações públicas exercerem a comunicação numa perspectiva diante do marketing. É necessário o estabelecimento de um plano estratégico de comunicação, utilizando os meios mais eficientes para o estabelecimento de suas metas e suas ferramentas de comunicação. É preciso entender que a comunicação completa o marketing, sendo ela o “fazer” e o marketing a “metodologia”, é nesse contexto que o RP atua. Não podemos esquecer que o RP precisa entender os elementos relacionados com a área, para executar suas ações, utilizando a administração, o planejamento estratégico e a qualificação profissional no campo do marketing.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Consultoria de Viagem a Italia: GOSTARIA DE GANHAR UM Mp4?

Consultoria de Viagem a Italia

AQUI POSSO ESCLARECER SUAS DUVIDAS ANTES DE DECIDIR IR TRABALHAR E VIVER NA ITALIA.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
GOSTARIA DE GANHAR UM Mp4?

è FACIL CONCORRER,ENVIE UMA FOTO SUA PARA O EMAIL abelgoes3@hotmail.com
DIZENDO " QUERO PARTICIPAR DO CONCURSO MINHA FOTO NO BLOG."
A FOTO MAIS VOTADA RECEBERA UM MP4 DE BRINDE.
EM BREVE FAREMOS OUTRAS PROMOçOES.
(foto meramente ilustrativa)
participem da comunidade do orkuthttp://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=24973285

um grande abraço

sábado, 10 de julho de 2010

O Sensacionalismo

Sensacionalismo é geralmente o nome dado a um tipo de postura editorial adotada regular ou esporadicamente por determinados meios de comunicação, que se caracteriza pelo exagero, pelo apelo emotivo e pelo uso de imagens fortes na cobertura de um fato jornalístico. Exagero de tal fato exibido com muitas cenas emotivas e de certa forma generalizando o tema exibido. Ultimamente usa-se esse recurso para ganhar audiência, pois choca a mente dos espectadores. Esta prática não é um fenômeno isolado, ou seja, faz parte de um processo histórico e cultural, sendo influenciado por matrizes como a pornografia, o melodrama, o folhetim, o romance gótico, a literatura de horror, a literatura fantástica e o romance policial.
A cada momento, deste final de milênio, estamos sendo bombardeados por uma série de informações jornalísticas que nos levam a repensar qual seria, de fato, o papel da imprensa moderna e, até que ponto, ela conserva seu princípio ético de divulgar temas de interesse público ou se, alternativamente, ela vem explorando assuntos interessantes para o público.
Muito tem se falado na distinção existente entre a chamada grande imprensa caracterizada como séria, formadora de opinião e a pequena imprensa, que apela para aspectos popularescos, manipulando os leitores, divulgando informações sensacionalistas. Se o aspecto crítico é característica da primeira, parece correto afirmar que a função apelativa é atributo da segunda.
Se no primeiro caso o texto deve revelar sua referencialidade, fato que lhe confere valor documental, já no segundo, o texto, muitas vezes é enfraquecido, pois a palavra passa a ser mero instrumento, enquanto fotos consideradas extravagantes falam mais alto.
Conferimos assim, à imprensa genuína, a razão precípua de informar com exatidão, formando em seu leitor, o processo gerador de conhecimento consciente. Neste sentido, estamos diante do que Roland Barthes chama de "texto fetiche", palavras que por sua elaboração textual, ganham vida e plasmam mensagens que conduzem ao texto envolvente. Ao levantarmos esta perspectiva, conferimos ao jornalista a possibilidade de engendrar matérias “atraentes” que o tornam um lapidador da palavra.
Em contrapartida, quando se trabalha exclusivamente com fatos bombásticos, o imediatismo faz-se presente e cria o que podemos chamar de jornalismo frívolo, que vive e se sustenta da desgraça e das banalidades que fazem parte do cotidiano.
O leitor é levado a vivenciar o processo catártico, no qual extravasa seu sucesso, ou sua tragédia pessoal. É como se a leitura lhe permitisse assumir um pacto romanesco, no qual ficção e realidade se mesclam, com a pluralidade do caleidoscópio. Mas surge aqui um questionamento: entre a veiculação dos dois tipos de mensagem, qual a que atinge, realmente, o leitor, não só em termos quantitativos, mas também no que se refere a formação de sua essência sensível?
Não se trata aqui de um dilema entre qualidade x quantidade, mas algo muitíssimo mais amplo que se instaura na sociedade em que vivemos e que nos configura, com nitidez fotográfica, esta mesma sociedade, porque na verdade, é um símbolo de suas necessidades explícitas e também das mais recônditas.
Para analisarmos os aspectos mencionados, partiremos de um exemplo exaustivamente explorado pela mídia sensacionalista, ou não, ocorrido na primeira semana de setembro de 1997, ou melhor, na semana em que o mundo parou.
Todos os olhos se voltaram para a tragédia ocorrida em Paris na fatídica madrugada de 31 de agosto no Túnel de l'Alma. Como uma profecia fúnebre, morria em acidente automobilístico a princesa Diana de Gales e, talvez, de todo o mundo.
“Sua morte prematura provocada, quem sabe, pelo assédio dos “paparazzi” gerou o questionamento seguinte: em que medida o interesse pela aparência divulgado pela imprensa alternativa teria, em parte, responsabilidade pela exposição cruel a que “mitos” atuais estão sujeitos”?
Não há dúvida de que a mídia conduziu Diana até sua morte. Porém, cumpre olhar o reverso da moeda, visto que existem várias versões afirmando que a própria princesa teria interesse em cunhar uma imagem de embaixatriz humanitária e "rainha dos corações", envolvendo a imprensa num jogo de sedução.
Considerações à parte, não se pode deixar de constatar que, se viva, a princesa motivava a mídia, morta, ela preencheu páginas, sem conta, nos periódicos mundiais.
No entanto, para ilustrar ainda melhor nosso questionamento inicial, outro fato, extremamente significativo, ocorreu num processo de simultaneidade ao acima descrito: a morte de madre Teresa de Calcutá.
A cobertura dada ao desaparecimento daquela que colocou toda sua vida a serviço dos empobrecidos, Prêmio Nobel da Paz em 79, não mereceu por parte da imprensa destaque comparável. Afinal, sua imagem despojada de "glamour" e voltada exclusivamente para causas humanitárias, não interessa ao leitor com a mesma intensidade... Ela não faz parte do sonho. É real, duramente real.
A linha divisória entre o interesse público e o interessante para o público é tênue e depende, em parte, do modo pelo qual é explorado sob o ponto de vista jornalístico. Neste sentido, exige grande capacidade de discernimento tanto de quem escreve, quanto de quem lê. Concluindo, a tarefa jornalística exige a conscientização da extensão das mensagens veiculadas, balizando o alcance da intervenção da imprensa na sociedade. É desafiador conceituar processos de criação, principalmente se invocamos parâmetros fixos. Exemplificando, Mathew Parris, do "Times" de Londres, afirma : "Os jornais de prestígio só esperam os tablóides darem a primeira mordida para avançar sobre a carniça ".
Portanto, um dos grandes desafios da imprensa é buscar com precisão o direito à informação, divulgando assuntos, cujo enfoque particular, sejam significativos para a formação da opinião pública.
É urgente publicar mensagens que, comprometidas com a verdade, apresentem soluções críticas e criativas para uma sociedade que, sedenta de curiosidade, possa vir a se tornar sedenta de conhecimento e mais próxima do Amor.
O trabalho desenvolvido pela polícia no caso da menina Isabella Nardoni também foi alvo de críticas ferozes e a análise psicanalítica do assunto ainda mostrou que a comoção popular é motivada, muitas vezes, pela necessidade que as pessoas têm se transformar o outro em monstro para se diferenciar daquele. O encontro apontou culpas e as falhas dos vários atores dessa relação entre mídia e processos judiciais.
Segundo Rahal, o jornalista Mario Cesar Carvalho, repórter especial da Folha de S. Paulo, "foi o maior alvo de questões e as respondeu com sinceridade e ousadia muito impressionantes, tendo feito ácidas críticas à polícia de forma geral".
Carvalho, segundo relato da jornalista Gláucia Milicio, do "Consultor Jurídico", disse que, apesar de os jornais não tomarem medidas de precaução ao noticiar o caso Isabella, e disputarem de maneira tola a informação com a TV, a comoção foi criada pela Polícia: "Parte da Polícia é corrupta e mal preparada e usou a mídia, em vão, para tentar fazer o casal confessar o crime."
"Estamos vivendo o epicentro do Direito Penal do inimigo. A população quer vingança, não a Justiça", afirmou o advogado José Carlos Dias. Para o ex-ministro da Justiça, o clamor social que envolve o caso só fez aumentar a responsabilidade do Ministério Público que, segundo ele, não pode deixar de pensar no Direito Penal e aplicá-lo. "O promotor tem de ter equilíbrio para não se deixar levar pela emoção. Ele não pode aplicar o Direito Penal do inimigo."
O ex-ministro também criticou a Polícia, que tachou de "incontrolada e incontrolável". "Agora, os tribunais superiores vão decidir se vale ou não a presunção de inocência. É o Judiciário quem será julgado pela sociedade", afirmou.
O comportamento do promotor Francisco Cembranelli, responsável por denunciar Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, também foram criticados, pela quebra de sigilo do caso e por ter convocado entrevista para falar sobre o caso. O promotor de Justiça Roberto Livianu, presidente do Movimento do Ministério Público Democrático, ressaltou que o promotor precisa ser cuidadoso para que a exposição midiática não deturpe o processo. "O grau de exposição e a comoção pública causam interferências no julgamento", disse. Acrescentou que o bom promotor tem de resistir ao clamor público para trabalhar com responsabilidade: "Ele não pode ser visto como um vingador da sociedade".
Para o psicanalista Jacob Pinheiro Goldeberg, a sociedade agiu como se estivesse assistindo a uma novela. Explicou que, em razão do pré-julgamento do casal, um segmento da sociedade chegou a torcer para que os culpados fossem outros. "Esse casal foi condenado desde o primeiro momento. Isso é execração pública, que é o ovo da serpente totalitária".

Bob Marley

Bob Marley pode ser reconhecido como a figura mais importante da música do século 20. Mas nas últimas duas décadas desde que Bob Marley se foi, ficou claro que ele é, sem questionamento, uma das mais transcendentes figuras dos últimos cem anos. As ondas desse conjunto sem paralelo de obras se irradiam para fora através do rio de sua música até um oceano de política, ética, moda, raça, filosofia e religião. A sua história é a de um mito atemporal que se manifestou neste mundo, bem defronte aos nossos olhos incrédulos.
Diferente dos meros pop stars, Bob era tanto uma figura moral e religiosa como um dos maiores vendedores internacionais de discos.
Mesmo grandes como os Beatles foram, você dificilmente vê alguém com uma camisa dos Beatles, exceto pela face comovente de John Lennon. Você poderia imaginar uma imagem de Elvis na bandeira de um batalhão de guerrilha? Quando foi a última vez que você viu uma faixa de Michael Jackson ou um sarong com Bob Dylan ou uma seda da Madonna? Tudo isso existe no formato Marley, pois sua iconografia se tornou uma nova linguagem universal, o símbolo da liberdade em todo o mundo.
A maioria dos pop stars que atravessaram o último século tinham o entretenimento como o seu primeiro e último objetivo. Não era assim com Marley. Ele era consciente do seu papel como o veículo da mensagem rastafari para a consciência do mundo exterior. Ele não ligava para as armadilhas terrenas e o que mais amava era nada mais do que descansar na terra fria de Jah `a noite, vendo o céu se revolver acima de sua cabeça, com uma pedra como travesseiro. Ele estava aqui para chamar seu povo para Jah.
Assim, não podemos comparar Marley com outras figuras conhecidas do meio musical. Como na área política, ele as excedeu, ainda que suas ações tenham feito com que ele fosse visto como um líder político profundamente radical. Mas a sua era a anti-política da salvação através do amor e somente pelo amor, com uma inabalável consciência da unidade de toda a humanidade.
Pelo lado da inovação, Marley era um sintetizador multi-talentoso de novas idéias e ritmos. Seu primeiro trabalho solo no alvorecer da era do Ska, veio juntamente com suas experiências contínuas com a música gospel, o rhythm and blues, o rock, folk, jazz, música latina, scat singing, disco music e mesmo a bossa nova. Bob entendeu que o reggae tinha a magnífica capacidade de absorver todas as outras influências e ancorá-las solidamente `a bateria e ao baixo, marcando-os como o elemento essencial, o doce e sedutor segredo do seu sucesso.
Na verdade o real segredo é que a música de Marley é sobre alguma coisa. Tem um valor. A arte de Bob é a vida transformada, respondendo `as nossas maiores necessidades. Ainda que Bob tenha se tornado um artista comercial, ele não estava fazendo uma arte comercial. A sua arte transcendeu a banalidade pop. Existem muitos que juram ter sua música literalmente salvado suas vidas.
É nesse vasto número de admiradores que a obra de Bob continua a nos atrair, fazendo com que nós consigamos sentir a sua óbvia imortalidade, mesmo deste ponto de vista próximo. Bob Dylan pode ter sido o mais respeitado poeta da sua geração, mas as suas letras, muitas vezes escritas de modo deliberadamente obscuro, não se deixam traduzir claramente, limitando o seu apelo para o público que não fala o inglês. Marley, por outro lado, refinou a arte de suas letras até uma perfeição sólida, usando a linguagem das ruas para atingir as estrelas. As suas palavras eram tão perfeitamente simples que adquiriam eloqüência. Hoje, suas histórias elementares podem ser relatadas e entendidas por pessoas de qualquer lugar que sofram, que amem e que anseiam por redenção. Em outras palavras, como qualquer um de nós.
A pronta adoção da erva por Marley e o menear cativante de suas tranças, que cresceram mais ferozmente assim que os anos 70 se esvaíram, contribuíram para a sua imagem de rebelde `a toda prova. Era tratado como uma divindade por jovens desafiadores e revolucionários rodados, que o reconheciam como um deles, adotando-o em Harare durante a independência do Zimbabwe e enviando para ele mensagens de solidariedade, das selvas peruanas até os esconderijos do Himalaia.
Bob Marley é a escolha mais clara para ser reconhecido como o Artista do Século 20, ao menos dentro dos limites da música e provavelmente mais além. Eu agora prevejo com confiança imprudente que as melodias de Marley ainda prevalescerão por centenas de anos no futuro acima de qualquer compositor que tenha vivido. No Woman no Cry ainda limpará as lágrimas da face de uma viúva; Exodus ainda irá levantar o guerreiro; Redemption Song ainda será um contundente grito pela emancipação de todas as tiranias, físicas e espirituais; Waiting in vain ainda irá seduzir e One Love será o hino internacional de uma humanidade mestiça vivendo em unidade, em um mundo sem fronteiras, além das crenças, onde todos terão aprendido enfim a se reunir e se sentir bem.
No fundo do coração dos corações, Bob Marley ouviu a harmonia dos céus e compartilhou este som celestial com o homem `a procura de Deus que existe em cada um de nós.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

“Os Irmãos Karamázov” - Fiódor Dostoiévski

“Os Irmãos Karamázov” é o último livro de Fiódor Dostoiévski, sendo considerado por muitos críticos e leitores a melhor dentre todas as suas obras. Foi publicado em 1880 e não é considerada uma obra de leitura fácil, principalmente, pra quem não está acostumado com leituras densas, longas frases e longos parágrafos, monólogos gigantescos sobre temas filosóficos e abstratos.
Dostoievski apresenta uma invenção tão grandiosa que a crítica não consegue defini-la até hoje. “Os Irmãos Karamázov” engloba de tudo: religião, psicologia, filosofia, moralidade, além da culpa e relacionamentos vividos por cada personagem, ou seja, tudo aquilo que está inerente ao comportamento humano.
Dostoiévski conduz a narrativa com maestria e destreza, sem nunca deixá-la enfadonha, ao contrário, ele a faz fluir de forma melíflua e com diálogos excepcionais.
O autor criou diversas ideologias, cada uma referente á uma conduta.
Cada personagem é uma parte inseparável da história: começando pelos três irmãos: o impulsivo Dimítri, o cético Ivã e o magnânimo Aliéksiei, além do boêmio e irresponsável pai, Fiódor Pávlovitch. Outras figuras marcantes são: o austero monge Zósima, a promíscua Grúchenhka, o pérfido Rakitín, o insano epiléptico Smierdiákov.
O pai, um velho safado e pilantra colocou uma penca de filhos no mundo. Obviamente, este velho safado e pilantra não tem um bom relacionamento com os filhos, e no caso, ele não tem um bom relacionamento com praticamente ninguém. Só que um dia o velho é morto, e a lei procura desvendar o crime. Basicamente é isso. E essa turminha do barulho apronta altas confusões.
Dostoiévski faz uma construção dos personagens com o objetivo de expor suas opiniões sobre a sociedade, o mundo, a vida, o universo e tudo o mais. Essa construção é feita mostrando a reação de cada um dos filhos do velho pilantra a seus últimos dias e a sua morte. Mostra também a criação de cada filho, uma vez que, como um pai degenerado e ausente, ele não dava muita importância a detalhes bobos, como criar seus rebentos, dar um bom exemplo paterno e ser querido pela comunidade.
Os filhos tiveram criações bem diferentes. Um deles foi criado num mosteiro e ele simboliza um homem moral e espiritualmente equilibrado, um ser que não tem dúvidas do que é certo e errado aos olhos de Deus e dos outros homens. Ele é afável, dócil e amistoso, porém decidido nas ações. Outro dos irmãos Karamazov é um intelectual, estudioso, inteligente e ateu. Arrogante, cínico e pretensioso. Para ele, a moral é relativa, acompanha a sociedade vigente e Deus não existe. O terceiro dos irmãos Karamazov é similar ao pai. Não está nem aí para nada.
As discussões filosóficas e teológicas do livro são muito pertinentes e atuais. Mas, na época de Dostoiévski, o ateísmo começava a ganhar corpo e defensores, ao passo que a moral cristã era atacada de todas as maneiras possíveis. Então ele expõe as falácias do pensamento ateu, os desdobramentos perversos que essa ideologia traria para o ser humano e a vida em sociedade.
Na verdade, hoje podemos ver que ele estava bastante certo. Não por acaso, os conceitos apresentados e defendidos pelo irmão ateu – que era o pensamento intelectual fervilhante da época. Claro que Dostoiévski, como um fervoroso cristão, usa o irmão Karamazov santo para demonstrar que o comportamento motivado por raciocínios cristãos e as qualidades cristãs como bondade, honra, respeito e humildade, ainda que contivesse idiossincrasias, era melhor do que o niilismo ateu ou do que a devassidão moral. Podemos até dizer que ele quase fechou os olhos para todo o incalculável mal que a religião cristã vem causando ao ser humano durante esses dois mil anos passados. Cristã, pois a religião se diz cristã, embora não siga realmente nenhum dos ensinos do fundador, Jesus Cristo. Mas ele tece, sim, críticas ao comportamento hipócrita dos líderes, aos ensinamentos sem sentido e aos fiéis que apenas seguem sem nenhum comprometimento pessoal, apenas hábito.
Em determinado ponto, o irmão ateu se encontra com o resultado material e físico do seu pensamento, e depois disso, enlouquece e discute com o próprio Belzebu. É o momento marcante do livro. O irmão degenerado busca absolvição durante boa parte de sua vida promíscua e o irmão santo amadurece seu comportamento santo, sendo que seu amadurecimento aparece como interlocutor, contraponto ou debatedor com essas outras figuras do livro.
Algumas tramas paralelas aparecem e são importantes para definir os personagens. Algo que chama a atenção são as descrições das mulheres que mexiam com a cabeça da família Karamazov. Sinceramente, em alguns momentos eu desejei que houvesse gravuras no livro. Mas para os afoitos, já deixo claro que o pai, era puritano e não temos quase nada relacionado a sexo.
O grande conflito do livro está no triângulo amoroso composto por Dimítri, Fiódor, e Grúchenhka. Os diversos conflitos internos são abordados concomitantemente com as excentricidades protagonizadas pelas personagens. O momento máximo da história está no assassinato de Fiódor Pávlovitch e suas conseqüências posteriores. Dimítri é acusado de homicídio e um comentado julgamento decidirá seu futuro.
Dostoiévski consegue manter o suspense e ainda inserir elementos da psicologia para analisar os personagens diante dos diversos acontecimentos vividos por eles, e com isso construir a idiossincrasia de cada um. O autor usou elementos de sua própria vida para criar um livro tão realista ao ponto de abordar questões estruturais da mentalidade humana, sendo uma obra marcante pela sua verossimilhança e perfeição.
O embrião dos pensamentos contidos neste livro já havia sido trabalhado nos livros anteriores do autor, em especial “Crime e Castigo”, mas podemos dizer que esse é o ápice da sua argumentação anti-intelectualismo de boutique ainda bastante difundido e discutido. Não é por acaso que este é considerado um dos grandes clássicos da literatura mundial.
Extremamente elogiada por Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, "Os Irmão Karamázov" é uma obra inesquecível, um salutar monumento da literatura mundial. Uma leitura obrigatória para quem quer compreender melhor as diversas facetas da alma humana e assim entender o funcionamento da sua própria.

sábado, 29 de maio de 2010

“The Wall” – Alan Parker

O filme “The Wall”, do diretor Alan Parker, foi lançado em 1982, e conta as fantasias delirantes de um superstar do rock, que enlouquece lentamente em um quarto de hotel. São extravagantes, psicodélicas e impressionantes imagens misturadas nas mentes e nas canções de uma banda inglesa chamada Pink Floyd.
Toda a estética do filme desemboca na possibilidade de ser explorada cinematograficamente. Convidaram Alan Parker para dirigir o projeto. O próprio Waters escreveu o roteiro e queria atuar no papel principal. Porém, como ele era muito feio para estrelar qualquer coisa no cinema, chamaram Bob Geldof, na época ainda era desconhecido do público.
Alan Parker é um mestre das imagens, e assim, sua associação com o disco do Pink Floyd só poderia resultar em um de seus melhores filmes. Parker declarou certa vez que detestou ter feito “The Wall” em função da quantidade de problemas que teve que enfrentar para realizá-lo. Grande parte deles, com certeza, deve ter sido por causa do relacionamento com Roger Waters, pessoa de temperamento difícil, que chegou a declarar não gostar do filme. “Provavelmente porque não é um filme dele”, respondeu Parker em entrevista posterior.
Mas o filme, em si, era de realização difícil, porque diferente de tudo o que fora feito até então. Não se sabe se é um musical, um drama ou um grande vídeoclip. O clima é totalmente sem alegria. Mistura desenhos animados e cenas surrealistas. A história é um grande mergulho na miséria pessoal do personagem. Um processo de degradação. Quem busca motivos para sonhar e sorrir deve passar longe deste filme, incrivelmente pessimista.
Antes de um show, o cantor Pink está sozinho em seu apartamento, catatônico. Uma faxineira tenta abrir a porta para fazer a limpeza. De repente, na batida poderosa de Nick Mason – um dos melhores bateristas de rock de todos os tempos – em In The Flesh, passa-se para uma rebelião de estudantes, com coquetéis molotov voando e explodindo viaturas policiais. A polícia chegando e descendo o cacete em todo mundo.
A seqüência de cenas segue a temática do álbum. Na canção “Mother”, por exemplo, vemos como a influencia de uma mãe superprotetora afeta negativamente o desenvolvimento emocional do menino. Já adulto, ele negligencia de tal forma a esposa que ela não vê outra saída a não ser traí-lo, o que acaba por agravar ainda mais seu estado mental. Na famosíssima “Another Brick In The Wall” Parker/ Waters faz uma crítica feroz ao sistema educacional inglês, ao mostrar estudantes caindo dentro de uma máquina de moer carne.
Pink quer morrer, mas ele é “salvo” do suicídio por seu empresário, pois precisa fazer um show, e há uma platéia o esperando. O poder que ele tem perante o público o deixa enlouquecido e ele se torna um líder fascista, mandando massacrar tudo o que fosse diferente, negros, judeus comunistas, homossexuais. Tudo na batida ensurdecedora de “Run Like Hell”. Há uma crítica evidente à intolerância da sociedade inglesa, simbolizada pelo despedaçamento da bandeira inglesa, sendo que a única coisa que sobra da Union Jack é uma cruz vermelha sangrando.
No final, o personagem, já totalmente destruído, pretende abandonar este papel e voltar a ser ele mesmo. Quer saber se o que aconteceu consigo foi por culpa dos outros ou de si próprio. Segue-se um julgamento, todo realizado em animação, onde ele é acusado de querer mostrar “sentimentos humanos”. As pessoas que passaram por sua vida aparecem, todas, para acusá-lo, exceto, é claro, sua mãe. Por fim, ele acaba condenado a ter o muro que o envolvia derrubado, para ficar exposto perante seus pares.
Não há um final feliz. O que se vê é apenas um dia claro e crianças pobres brincando em meio ao entulho. “The Wall” é um filme sem esperança. Não há saída para os sonhos humanos. Na verdade, ele é uma crítica ao capitalismo monopolista que sucedeu, no início do século XX, o capitalismo concorrencial, fenômeno já previsto por Marx e desenvolvido pela Escola de Frankfurt. O advento do nazifascismo não foi algo isolado, mas a chegada ao poder de uma mentalidade que está aí, não foi derrotada como nos disseram os filmes de Hollywood. Para um tempo em que qualquer ética que respeite o ser humano perde seu sentido, só resta o desespero e a violência.

“Racional” – Tim Maia

Os discos “Racionais” de Tim Maia foram divididos em dois volumes, ambos com nove faixas cada, e também lançados em sequência de um ano: o volume 1 foi lançado em 1975 e o volume 2 em 1976. As capas são iguais e mostram um desenho tosco, retirado de um livro da seita “Universo em Desencanto”. O primeiro só tem composições de Tim e o segundo já traz músicas de outros autores. Tim chega mesmo a se satirizar no disco, com o samba-soul "Paz interior", autor da música, fez dela uma resposta a outra canção sua gravada por Tim, "Gostava tanto de você" - o refrão diz: "eu agora já não dependo de você".
O som é um funk ou soul limpo, quase gospel e sem as firulas da fase mais comercial de Tim. Não há arranjos de cordas virtuosos, ou canções comerciais. Não há aquele tempero brega que a fase posterior de Tim ganhou. Há sim um conjunto de excelentes músicos da black music nacional, fazendo um som de dar inveja. O disco é, como um todo, um desabafo espiritual de Tim, que exorciza seus demônios procurando encontrar o seu equilíbrio, procurando encontrar a paz. É um daqueles discos antológicos da história do pop, marcados pela angústia, quando “a dor presente nos faz continuar”. Normalmente o que o rei do swing nacional faz é transformar sofrimento em notas musicais, e isso se torna um resultado antológico no disco!
A primeira faixa é “Imunização Racional”, um quase reggae com guitarras wha-wha e swing soul. É a menos comprometida com a cultura racional e pode passar como uma canção normal, por isso mesmo foi a que fez mais sucesso na época. Em seguida vem “O grão mestre varonil” à capela, que apesar da voz de trovão de Tim se perde na idolatria ao charlatão “seu” Manoel. Na seqüência, vem uma das melhores faixas do disco “Bom Senso”, um funk redondo com baixo marcando e bateria swingada que explodem no refrão em um soul gritado pela voz forte de Tim Maia. Sua letra é um relato da conversão do doidão. Na seqüência “Energia Racional” e o soul arrastado de “Contato com o Mundo Racional”. As duas últimas são em inglês : “You don’t know what I know” e “Rational Culture”. Lembrando dos seus tempos nos EUA, Tim Maia fala como um pregador negro do Bronx, chamando o ouvinte como James Brown e mandando um funk excelente, cheio de swing, que taca fogo em qualquer pista. As linhas de baixo são todas memoráveis, e os riffs são marcantes, grudando na cabeça do ouvinte que acaba até querendo saber que diabos é essa tal cultura racional.
O segundo disco começa com o balanço de “Quer queria, quer não queira” e segue com “Paz Interior” com letra irmã a de “Bom Senso”. O primeiro grande momento é “O Caminho do bem” um funk leve e pegajoso, que repete milhares de vezes o mantra “o caminho do bem...”, e se tornou febre após ser usada na cena do filme “Cidade de Deus”. Esse disco é mais fraco que o primeiro, mas traz ainda à excelente “Guiné, Bissau, Moçambique e Angola Racionais” que vem se tornando como hits black, graças a seu swing irresistível, baixão marcante, solo de rock n’ roll e influências africanas. É a fusão do som negro dos guetos americanos com as canções tradicionais africanas e o molejo do samba brasileiro.
Os discos do Tim Maia Racional são caros e difíceis de encontrar, mas hoje em dia estão mais acessíveis pela internet, e em breve alguém vai perceber o potencial dos álbuns e relançá-los. Pelo glamour e fetiche de se pesquisar um disco que é um tributo a uma seita obscura e ninguém conhece, e muita gente esquece que esses álbuns também tem lá o seus defeitos, como toda forma artística no meio social. As letras são repetitivas e um pouco fracas em algumas canções, talvez algumas músicas pudessem ser cortadas para o lançamento de um disco único. O que não resta dúvida é que pelo menos esse movimento inspirou uma coisa boa no cenário da musica brasileira: Um dos melhores discos de música negra feitos no Brasil, é pura genialidade cultural.